Manaus/AM – A decisão da Justiça Federal de soltar o pescador Laurimar Lopes Alves, suspeito de ocultar os corpos do indigenista Bruno Pereira e do jornalista britânico Dom Phillips, causou revolta entre os indígenas do Vale do Javari, onde o crime ocorreu no interior do Amazonas.
Em nota, a União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Unijava), manifestaram repúdio e criticaram a condução das investigações sobre o caso.
"Esse fato corrobora ao que nós, há muito tempo, estamos denunciando sobre o descaso das autoridades brasileiras competentes em solucionar o caso (...). Já são cinco meses desde a morte de Bruno e Dom, nos parece que as investigações estão sendo feitas de forma paliativa ou que estão simplesmente parada”, diz um trecho do documento.
Laurimar, que é cunhado de outro suspeito no crime, Amarildo Costa de Oliveira, foi posto em liberdade na última terça-feira (6), após pagar fiança de R$ 2 mil.
Na ocasião, o juiz federal Fabiano Verli entendeu que Laurimar não representa perigo à sociedade, tem endereço fixo e que não havia elementos fortes o suficiente que justificassem a manutenção da prisão preventiva.
O Ministério Público Federal (MPF) questionou a decisão e aponta que o risco real de que testemunhas importantes sejam intimidadas pelo homem que além de ser supostamente responsável por esconder os corpos de Bruno e Dom, também seria envolvido em crimes de pesca ilegal na região. Laurimar foi alvo de uma operação da PF antes de ser preso pela morte do indigenista e do jornalista.

