Manaus/AM - Um mês depois do naufrágio da lancha Lima de Abreu XV, no Encontro das Águas em Manaus, o rio ainda guarda silêncio sobre cinco desaparecidos. A tragédia, ocorrida em 13 de fevereiro, deixou três mortos e mais de 70 sobreviventes, mas para muitas famílias o tempo não trouxe consolo, apenas a angústia da espera.
A embarcação havia partido de Manaus com destino a Nova Olinda do Norte levando cerca de 80 passageiros. Pouco depois, afundou na confluência dos rios Negro e Solimões, ponto turístico conhecido pela força das correntes. O resgate foi marcado por cenas dramáticas: pessoas agarradas a pedaços de madeira, crianças sendo puxadas para barcos de apoio e até um bebê prematuro encontrado dentro de um cooler, que se tornou símbolo da luta pela sobrevivência.
Desde então, o Corpo de Bombeiros do Amazonas e a Marinha do Brasil mobilizaram drones, helicópteros, sonares e mergulhadores em uma operação que já percorreu centenas de quilômetros do Rio Amazonas. As condições adversas — correntezas fortes, águas turvas e profundidade variável — dificultam a localização dos desaparecidos.
Enquanto as buscas seguem, familiares mantêm vigílias às margens do rio e organizam atos em memória das vítimas. Muitos relatam viver entre a esperança e o luto, sem conseguir encerrar o ciclo da dor. “Cada dia que passa sem notícias é uma ferida aberta”, desabafou uma das mães que ainda aguarda pelo filho.
O balanço oficial permanece assim: 71 sobreviventes, 3 mortos e 5 desaparecidos. Um mês depois, as autoridades reconhecem que as chances de encontrar sobreviventes são mínimas, mas garantem que o trabalho continua para dar uma resposta definitiva às famílias.

