Thiago de Mello recebe homenagens de escritores, artistas e políticos do Amazonas e do Brasil

Por Portal do Holanda

14/01/2022 15h13 — em Amazonas

Foto: Divulgação

Manaus/AM - Várias personalidades do Amazonas e do Brasil manifestaram pesar pelo falecimento do poeta amazonense Thiago de Mello, considerado um ícone da cultura nacional e até internacional, pelo alcance de sua poesia e do seu posicionamento político.

O prefeito de Manaus, David Almeida, decretou luto oficial de três dias no Município pela morte de Thiago de Mello, nesta sexta-feira (14), aos 95 anos.

O Portal do Holanda ouviu vários depoimentos e traz alguns postados em redes sociais de escritores, jornalistas, políticos e autoridades. 

Tenório Telles, do Conselho de Cultura Municipal

Tenório Telles, escritor, presidente do Conselho Municipal de Cultura (Concultura)

“A passagem de Thiago de Mello é uma nota triste para a cultura brasileira. Sua poesia e seu legado ficará como testemunho de sua presença e da humanidade e beleza de seu canto”. 

Aristóteles Comte Alencar Filho, presidente da Academia Amazonense de Letras (AAL)

A morte de Amadeu Thiago de Mello traduz-se em uma perda inestimável para Academia Amazonense de Letras, assim como para a poesia brasileira. Thiago de Mello foi sempre um defensor intransigente da liberdade e da natureza, autor de obras imortais e publicadas em diversos idiomas. Tornou-se imortal em vida ao publicar suas poesias que não respeitaram fronteiras geográficas e culturais. Seguiremos seu conselho, após sua partida, faz escuro, mas continuaremos cantando. Descanse em paz grande Poeta.”

 

Robério Braga, ex-secretário de Cultura do Estado, escritor

“O poeta Thiago de Mello tinha também, além da questão social e político ideológica, o viés forte de amazoneidade, de floresta, de natureza, de meio-ambiente e grandemente de direitos humanos. As frases mais conhecidas dele e o modo de se portar, desde os 22 anos de idade,  sempre foi nesse caminho das liberdades, igualdades, natureza e Amazônia. Sua palavra era sempre contundente, forte, na defesa desses conceitos. Isso o caracterizou e até mesmo a presença física dele era distinta das demais, pois estava sempre de branco, muitas vezes com chapéu panamá. O tempo é inexorável, vence o corpo, mas não derrota a memória, e foi o que se deu com Thiago, que será eterno pela sua obra marcante”.

Dori Carvalho, poeta

“Tenho um verso em um dos poemas, Meninos Poetas, que traduz o que sinto. Thiago, amazônico Thiago de Mello, cantou-me que o mundo ainda pode ser belo”. Esse verso traduz o que sinto pela perda. Tudo o que fez de pessoa é da mais alta relevância tanto para o fazer poético, mas buscar na gente o que resta de humanidade, na luta pela democracia e as liberdades. É o último dos poetas da geração de 45, tão aguerrida, tão consciente do papel comprometido com as lutas dos seus tempos. A contribuição dele para a humanidade, para a poesia do mundo, apaga qualquer defeito que pudesse ter. Sinto muito orgulho por ter vivido no tempo de Thiago de Mello”.

Isaac Maciel, diretor da Editora Valer 

“O Brasil se torna mais pobre com a partida de Thiago de Mello e a Amazônia perde um grande porta-voz da floresta”.

Fernando Morais, escritor.    Foto Divulgação Estúdio Pã

Fernando Morais, escritor, na rede social facebook

“O Brasil está de luto. Morreu Thiago de Mello, uma das maiores expressões da poesia brasileira. Thiago vivia há décadas em Barreirinhas, no Amazonas, em uma casa-palafita projetada por Lúcio Costa, um dos criadores de Brasília. Publicado em dezenas de idiomas, ficamos amigos há sessenta anos, unidos pelas mãos do poeta cubano Roberto Fernandez Retamar. Além de toda a obra, Thiago se celebrizou internacionalmente por “Faz escuro mas eu canto”, trecho de seu poema “Madrugada camponesa”, transcrito abaixo. Na foto, em um dos prêmios Casa de las Américas, em Cuba, aparecem Thiago, a mediadora do debate, Darcy Ribeiro e eu”.

Arthur Neto, ex-prefeito de Manaus, em rede social

“Thiago de Mello era um poeta maior que sua poesia, uma glória da literatura latino-americana. Quando prefeito de Manaus, fizemos muitas homenagens, incluindo uma exposição com obras doadas por ele, do seu acervo pessoal. Estamos de luto, mas a inspiração nele nos faz seguir em luta”.

Plínio Valério, senador do Amazonas, em rede social 

“Lamentamos a partida do poeta amazonense Thiago de Mello, um dos mais influentes do país e ícone da nossa cultura. Nascido em Barreirinha, completou 95 anos em 2021, ano em que uma das suas principais obras, “Faz escuro mas eu canto” inspirou a 84ª Bienal de São Paulo.”

Wilson Lima, governador do Amazonas

“É com imenso pesar que lamento o falecimento do poeta Thiago de Mello, ícone da cultura nacional, nascido em Barreirinha, aqui no Amazonas. Thiago deixa um legado de amor à arte e às nossas raízes. Neste momento de dor, me uno em oração com a família e aos amigos. Vida sempre ao serviço da vida. Para servir ao que vale a pena é o preço do amor (Thiago de Mello).”

Serafim Correa, deputado estadual e ex-prefeito de Manaus

“Registro com pesar o falecimento do poeta Thiago de Mello. Quando fui prefeito ele ia às escolas municipais conversar com os alunos e recitar suas poesias. Perde o Brasil, perde o Amazonas e perde sua Barreirinha, de quem era o filho mais ilustre. Sentimentos à sua família”.

Senador Randolfe Rodrigues com Thiago de Mello   Foto acervo pessoal

Randolfe Rodrigues, senador pelo Amapá

“Faz escuro mas eu canto, porque a manhã vai chegar”. Impossível não comentar sem estar triste. O Brasil perdeu nesta sexta-feira um de seus maiores poetas, o escritor amazonense Thiago de Mello. Em 2016, realizamos no Senado uma sessão em homenagem a Thiago a partir de nossa iniciativa em reconhecimento à sua obra. Sua trajetória está diretamente ligada às aspirações por um mundo melhor. Perseguido pela ditadura, foi para o exílio em países da América do Sul, como o Chile onde fez amizade e parceria com o grande Pablo Neruda.

É um dia amargo e difícil, mas como não recordar em meio a tantas perdas o otimismo e a esperança de Thiago de Mello na humanidade, como nos versos de “Os Estatutos do Homem”?

"Fica decretado que agora vale a verdade/ agora vale a vida,  e de mãos dadas, marcharemos todos pela vida verdadeira".

Ivânia Vieira, jornalista, professora da UFAM 

"A chuva tinha sido anunciada pelos leitores do tempo. Logo cedo, as águas chegaram fortes e se espalharam pelo chão de Manaus. O vento fez as árvores dançarem e as aves ficaram aquietadas. O céu encoberto sinalizava com um tempo diferente. Assim, a natureza se fez neste dia 14 de janeiro para receber Thiago de Mello de volta, festejar o aniversário do bairro Praça 14 e lembrar da agonia vivida, na cidade, há um ano, quando faltou oxigênio e muitos morreram.

Thiago descreveu, por tantas vezes, o céu acinzentado pela ditadura latino-americana e com igual intensidade revelou a lua, as estrelas, a rosa branca, a açucena, os estatutos do homem. Entregou-se pleno à bebida da poesia e de outros escritos tornados presentes para os amazônicos e ao mundo.

Ainda não nos apropriamos do conteúdo de Thiago de Mello. O garoto de Porantim do Bom Socorro, no município de Barreirinha (AM), viajou longe, virou estrela noutros países para retornar a sua terra e ver parte da sua arte como legado à gente daqui.
A morte do homem Thiago de Mello, aos 95 anos, remete ao escacaviamento da biblioteca da vida nos escritos de Mello. São multiplicados nas redes sociais os fragmentos ou peças inteiras do poeta e escritor. Geo-grafar Thiago é exercício necessário para nós, tão afeitos a outros heróis externos e ensinados a enquadramentos europeizados. Que esse regressar de Thiago de Mello se faça porta aberta e larga para a passagem dos textos espalhados por décadas de vida que sistematizam, poeticamente, uma perspectiva de vida dos humanos na Terra."            
   
De As ensinanças da dúvida eis fragmentos:
“{...} Ainda que o gesto me doa, não escolho a mão: avanço
Levando um ramo de sol.
Mesmo enrolada de pó,
Dentro da noite mais fria,
A vida que vai comigo
É fogo:
Está sempre acesa {...}”


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

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