Dezessete anos depois de ser encaminhado ao Tribunal de Contas do Estado o processo que apura golpe contra 14 prefeituras do Amazonas foi a pauta na quinta-feira, acompanhado da denúncia do procurador Carlos Alberto e do relator Raimundo Michiles de que algumas páginas com documentos importantes desapareceram.
Michiles disse que o processo chegou a ir parar no arquivo do Tribunal e estranhamente apareceu no seu gabinete para ser relatado e julgado. “Até uma gripe peguei manuseando as folhas”, ironizou, devido as páginas amareladas dos autos.
Carlos Alberto foi mais longe. Revelou que surrupiaram (roubaram) folhas dos autos, chegou a falar que se deveria abrir uma sindicância para apurar os fatos, mas o pleno ignorou a sugestão.
O conselheiro Júlio Cabral entrou na discussão e perguntou ao presidente Érico Desterro por onde andava o processo e onde ele passou tanto tempo.
Desterro respondeu que dia 7 de julho de 1999, três anos depois da denúncia, os autos deram entrada no Ministério Público, e dia 13 do memso mês ele, quando era procurador, emitiu parecer pela procedência da denúncia.
“De lá pra cá, isso comprova que a responsabilidade não era do MP”, disse Desterro, afirmando que sabia onde o processo ficou parado, mas não o revelou.
Ari Moutinho Filho entrou na discussão e disse: “poucos fantasmas ainda dormem nas gavetas do Tribuna”.
A discussão terminou e por unanimidade os conselheiros acompanharam o relator e mandaram finalmente os autos, desta vez para o arquivo do TCE.




