A produtora Karina Ferreira da Gama negou ter participado da administração do fundo responsável pelo financiamento de “Dark Horse” e afirmou que sua atuação no projeto se limitou à produção do filme. Em entrevista à CNN Brasil, ela também rejeitou a suspeita de uso de dinheiro público na obra e disse ter sido pressionada a colaborar com uma eventual delação.
Alvo da Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal na quinta-feira (10), Karina afirmou que o longa teve custo de US$ 13,3 milhões e que os recursos utilizados eram privados. Segundo ela, o projeto não recebeu dinheiro de emendas parlamentares.
A investigação, porém, apura a origem dos recursos destinados ao filme. Em uma decisão homologada pelo ministro André Mendonça, Antônio Carlos Freixo Júnior afirmou que sete transferências, que somaram US$ 12,3 milhões, foram feitas ao fundo Havengate em 2025 por determinação de Daniel Vorcaro e após pedidos do senador Flávio Bolsonaro.
Karina disse que, desde o início, entendia que o investidor do projeto era o fundo Havengate. Ela afirmou ter apresentado documentos pessoais e da empresa durante o processo de análise, mas ressaltou que não tinha responsabilidade sobre a origem do dinheiro administrado pelo fundo.
“Eu não participei do fundo. Eu nunca participei do fundo e não era o meu papel. O meu papel ali era contratada do fundo”, declarou.
A produtora também negou ter mantido relação direta com Vorcaro ou com empresas ligadas a ele. Segundo Karina, os contratos firmados durante a produção possuem cláusulas de confidencialidade e podem ser apresentados às autoridades responsáveis pela investigação.
As dificuldades financeiras, conforme o relato da produtora, começaram no fim de 2025. Durante as 40 diárias de gravação, a equipe precisou reduzir custos e simplificar etapas para conseguir concluir o trabalho.
Karina afirmou ainda que não foi contratada para captar recursos. Segundo ela, sua função era executar a produção depois que o fundo aprovou o projeto e o orçamento, que teria sido ajustado após a definição de elementos como elenco, locações e equipamentos.
“Eu fui contratada para produzir. Eu não fui contratada para captar recursos”, afirmou.
Pressão e ameaças
Além das questões financeiras, Karina relatou ter sofrido ameaças de pessoas com quem manteve relações profissionais e pessoais. Segundo ela, um ex-fornecedor teria pedido R$ 2,5 milhões para não prejudicar o projeto.
A produtora também afirmou que recebeu sugestões para fazer um acordo de colaboração com as autoridades. De acordo com seu relato, um advogado ofereceu suporte jurídico e mencionou possíveis contatos no Supremo Tribunal Federal. Ela disse ter recusado a proposta porque não teria informações que pudessem incriminar outras pessoas.
Karina afirmou ainda temer ser transformada em uma espécie de “próximo Mauro Cid”, mas declarou que pretende colaborar com as autoridades dentro dos limites legais.
A produtora classificou a situação como uma forma de perseguição e questionou o motivo de o filme ser alvo de investigação por sua associação política. Ela também afirmou que já votou em Luiz Inácio Lula da Silva, mas mudou sua posição política após o atentado contra Jair Bolsonaro, em 2018.
As investigações conduzidas no STF tratam de diferentes aspectos do caso. Uma delas, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura suspeitas relacionadas a emendas parlamentares. Outra, sob responsabilidade de André Mendonça, envolve transferências atribuídas a Vorcaro e mencionadas em depoimentos relacionados ao senador Flávio Bolsonaro.
Até o momento, as declarações apresentadas no âmbito da investigação sobre a origem dos recursos ainda são objeto de apuração e não comprovam, por si só, irregularidades na produção do filme.



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