Manaus/AM - Os rios Negro, Solimões e Amazonas devem superar as cotas de inundação neste ano durante o pico, que ocorre entre maio e junho, de acordo com o 1º Alerta de Cheias do Amazonas de 2023 divulgado pelo Serviço Geológico do Brasil (SGB), unidade de Manaus.
Esse é o primeiro de três alertas feito 75, 45 e 15 dias dias antes da cota máxima. As previsões são feitas com base em dados gerados a partir do Sistema de Alerta Hidrológico (SAH) do Amazonas, que faz o monitoramento das áreas que abrangem os municípios de Manaus, Manacapuru e Itacoatiara, onde vivem mais de 2,3 milhões de pessoas.
Em Manaus, de acordo com o SGB, o Rio Negro pode chegar a aproximadamente 28,64 metros, com intervalo provável entre 27,89 m e 29,40 m (intervalo de confiança de 80%). Esse nível corresponde à cota de inundação, em que o primeiro dano é registrado no município. Mas é baixa a probabilidade de alcançar as cota de inundação severa e máxima.
A probabilidade de alcançar a cota de inundação severa (29 m) é de 27,07%, e a de chegar à máxima (30,02 m registrados em 2021) é de 0,87%, informou a engenheira Jussara Cury Maciel, pesquisadora responsável pelo Serviço de Alerta Hidrológico do Amazonas (SAH).
Para Manacapuru, a previsão é de que o Rio Solimões atinja aproximadamente 19,39 m, com intervalo provável entre 18,56 m e 20,21 m. A probabilidade de ultrapassar a cota de inundação é de 97,35%.
“Isso indica que é uma cheia de grande magnitude, mas não de inundação severa”, explicou a pesquisadora do SGB. Segundo os dados, a probabilidade de alcançar a cota severa (19,60 m) é de 36,59%, e a cota máxima (20,86 m em 2021) é de 0,84%.
Para o Rio Amazonas, que passa por Itacoatiara, as estimativas apontam que chegue a aproximadamente 14,2 m, nível considerado de inundação severa, em que são causados danos graves no município.
“Em Itacoatiara, a média da previsão aponta um nível próximo ao início do intervalo da inundação severa. É grande a probabilidade de superar a cota de inundação (14 m), mas de superar a máxima (15,20 m em 2021), a probabilidade é pequena, de 0,15%”, informou Maciel.
Alice Castilho, diretora de Hidrologia e Gestão Territorial (DHT) do SGB, destacou que esse é o primeiro alerta de uma série de três, divulgados anualmente, com o objetivo de dar informações que permitam o planejamento para o enfrentamento da cheia, com foco para a cota máxima prevista para daqui a 75 dias.
As próximas previsões serão divulgadas em 28 de abril e 26 de maio, destacou o superintendente da Unidade Regional do SGB em Manaus, Marcelo Motta, explicando que essas informações são construídas pelas mãos de pesquisadores que se dedicam a esse trabalho árduo, de contribuir para que a autoridades possam agir em prol da população que tanto necessita, principalmente as que habitam as margens de igarapés e de rios.
O secretário adjunto da Defesa Civil Estadual, Clovis Araújo, destacou que já é realizado um planejamento para lidar com os impactos, e os dados produzidos pelo SGB são fundamentais nesse processo.
O secretário da Defesa Civil Municipal de Manaus, Gladiston Alves da Silva, por sua vez, afirmou a divulgação do 1º Alerta pelo SGB contribuirá para o desenvolvimento de ações mais pontuais e estratégicas.

