A Secretaria de Estado de Educação pagou no dia 31 de janeiro, R$ 6.2 milhões para duas empresas com contratos suspeitos, conforme o Portal da Transparência. A autorização para começar a “quitar”dívida partiu diretamente do gabinete do governador Wilson Lima.
Denunciada na operação ‘Maus Caminhos’, a Bringel Medical Distribuidora de Medicamentos, do grupo Bringel, recebeu R$ 1.300.330,13, e a Pafil Construtora e Incorporada, denunciada na Assembleia Legislativa do Estado (ALE), levou R$ 4.9 milhões

A empresa Bringel é do mesmo grupo da Bioplus Comércio e Representação que, também, foi priorizada nos primeiros pagamentos da Secretaria de Saúde, ao receber metade do que foi disponibilizado para a pasta, em janeiro, R$ 1.5 milhão.
Contratada há dois anos para realizar exames médicos simples em alunos e professores da Seduc, a Bringel Medical Distribuidora de Medicamentos tem um contrato estimado em mais de R$ 50 milhões.
O problema da empresa e do governo é a dificuldade na localização dos documentos que justifiquem o pagamento. Técnicos da pasta informaram que não se tem, também, o controle exato do que já foi pago e do que falta pagar, considerando os serviços realizados.
A Pafil Construtora foi contratada para a realização de obras de construção e reforma de escolas. Mas diante dos problemas estruturais que o próprio governo Wilson Lima denunciou, há indícios de que a Pafil não realizou os serviços contratados. Ou os fez mal. Ou pela metade.
Chamou atenção, no Portal Transparência do governo, a forma pela qual foi realizado o pagamento à empresa, no último dia 31, com créditos “pulverizados”. Foram 14 notas fiscais emitidas com valores que variam de R$ 1 milhão a R$ 124 mil.
ENVOLVIDA NA MAUS CAMINHOS
No ano passado, a Polícia Federal (PF) deflagrou a “Operação Cash Back”, que prendeu um dos administradores do Grupo Bringel, responsável pelo controle da empresa Bringel Medical Distribuidora e da Bioplus Comércio e Representação.
A operação investiga a prática de crimes de peculato, lavagem de capitais e organização criminosa. Os delitos, segundo a PF, foram praticados por empresários que forneciam produtos e serviços.
Segundo a PF, o Grupo Bringel possui diversos contratos com o Estado do Amazonas, cujos indícios apontam para um alcance muito maior de práticas ilícitas.
ALESSANDRA DENUNCIOU PAFIL
Em 2017, a deputada estadual Alessandra Campelo (MDB) denunciou a Pafil Engenharia Ltda e Construtora Matrix por suspeitas de recebimentos por obras não realizadas na Secretaria de Educação.
Segundo a parlamentar, na época, a Seduc gastou quase R$ 33 milhões em contratos para pagamento de aditivos em reformas de escolas, que não foram identificadas para a população.
A parlamentar encaminhou a denúncia para o Tribunal de Contas do Estado e Ministério Público do Amazonas Entre as principais suspeitas está o superfaturamento de serviços.
“Uma reforma que sairia por R$ 1,6 milhão teve acréscimo de R$ 1,8 milhão, ou seja, o custo total foi de R$ 3,4 milhões que é o preço para construir uma escola nova”, apontou a deputada, em suas denúncias.



