Seca fora de época deixa portos inoperantes no interior do Amazonas
Manaus/AM - Cidades do Amazonas enfrentam uma seca fora de época em um período que normalmente é marcado pela cheia dos rios. O fenômeno, considerado incomum para janeiro, já atinge comunidades do Alto Solimões e começa a comprometer o transporte fluvial e a navegação em portos estratégicos do interior do estado.
Em Tabatinga, a cerca de 1.100 quilômetros de Manaus, navios de grande porte não conseguem atracar no porto por causa do baixo nível do rio. As embarcações têm parado em pontos mais distantes, obrigando passageiros e trabalhadores a percorrer trechos que, em condições normais, estariam submersos. Moradores relatam dificuldades para o transporte de pessoas e mercadorias, além do risco de encalhe de balsas e flutuantes.
A situação também se repete em Coari, a 360 quilômetros da capital, onde a área portuária secou parcialmente e já interfere nas operações. Trabalhadores afirmam que a água recuou até próximo das boias de sinalização, alterando a rotina de embarque e desembarque e aumentando a preocupação de quem depende do rio para se locomover ou escoar produtos.
Segundo especialistas, o cenário é provocado por temperaturas acima da média e baixos índices de umidade, que reduziram o volume de chuvas nas cabeceiras dos rios. Dados do Serviço Geológico do Brasil indicam que dezembro teve precipitação muito abaixo do normal, mantendo a recessão no Alto e Médio Solimões e impactando até Manaus, onde o Rio Negro sobe apenas cerca de 1 centímetro por dia. A expectativa é que novas chuvas nos próximos dias ajudem a reverter o quadro.
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