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Relatório aponta 225 requerimentos de mineradoras para explorar terras indígenas

Relatório aponta 225 requerimentos de mineradoras para explorar terras indígenas
Relatório aponta 225 requerimentos de mineradoras para explorar terras indígenas

No Amazonas, só para a terra indígena Waimiri Atroari, havia em 2021 um total de 34 requerimentos de exploração mineral e outros 19 voltados para terra indígena Jauary, do povo Mura, em Autazes.


Mesmo com os anúncios feitos por grandes mineradoras como a Vale e a Anglo American, de que abandonaram seus interesses em explorar minerais em territórios indígenas, nove empresas tinham, em novembro de 2021, um total 225 requerimentos minerários ativos com sobreposição em 34 Terras Indígenas – uma área que corresponde a 5,7 mil quilômetros quadrados – ou mais de três vezes a cidade de Brasília ou de Londres, na Agência Nacional de Mineração (ANM).

Só para a terra indígena Waimiri Atroari, no Amazonas, existem 34 requerimentos de exploração mineral e outros 19 requerimentos minerários ativos como a da empresa Potássio do Brasil, cujos relatórios de pesquisa não foram aprovados em 12 dos processos, cujos alvos afetariam o povo Mura, da Terra Indígena Jauary, no município de Autazes, que em novembro de 2021 foi invadido por balsas de garimpeiros, que deixaram rastro de contaminação no Rio Madeira.

A informação foi divulgada em novo relatório denominado “Cumplicidade na Destruição IV – Como mineradoras e investidores internacionais contribuem para a violação dos direitos indígenas e ameaçam o futuro da Amazônia”, lançado pela Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib) e a organização Amazon Watch.

As mineradoras com mais pedidos são a Vale, Anglo American, Belo Sun, Potássio do Brasil, Mineração Taboca e Mamoré Mineração e Metalurgia (ambas do Grupo Minsur), Glencore, AngloGold Ashanti e Rio Tinto.

O relatório destaca que a abertura de terras indígenas para a mineração e o garimpo está no centro da agenda do governo Bolsonaro e que com o avanço dos projetos de lei como o PL 191/2020 e o PL 490/2007 no Congresso Nacional, esses requerimentos podem garantir às mineradoras prioridade na exploração desses territórios.

No relatório, as duas organizações mapeiam os interesses das grandes mineradoras em terras indígenas desde 2020 e garantem que os pedidos de pesquisa e exploração mineral nesses territórios, muitos dos seus requerimentos seguem ativos no sistema da Agência Nacional de Mineração (ANM).

“Enquanto os Povos Indígenas lutam para garantir o direito à vida, tanto em nossos territórios quanto em todo o planeta, o governo brasileiro e as empresas da mineração tentam avançar um projeto de morte”, afirmou  Sonia Guajajara, da coordenação executiva da Apib.

As terras indígenas mais afetadas por esses pedidos são a Xikrin do Cateté (PA) e a Waimiri Atroari (AM), ambas com 34 requerimentos cada, seguidas pela Sawré Muybu (PA), com 21. A etnia mais impactada por estes pedidos de mineração é a Kayapó (PA), com 73 requerimentos.

Os dados foram obtidos a partir de uma parceria com o projeto Amazônia Minada, do portal InfoAmazonia, que resultou em um painel interativo – lançado junto com o relatório – que permite pesquisa em tempo real na base de dados da ANM.

O relatório identificou que, por trás dessas empresas e projetos que colaboram para a destruição da Amazônia e violação de direitos indígenas, há o financiamento de dezenas de instituições do Brasil e exterior que financiaram um total de USD 54,1 bilhões.

Para acessar ao relatório na íntegra, aos vídeos e ao painel do Amazônia Minada, acesse: www.cumplicidadedestruicao.org.

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