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Rede pública estadual supera metas do MEC no Ideb

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Manaus/Am- A rede pública estadual do Amazonas atingiu e superou todas as metas projetadas pelo Governo Federal no Índice do Desenvolvimento da Educação Básica (Ideb). O Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Estatísticas Anísio Teixeira (Inep), instância ligada ao Ministério da Educação (MEC), divulgou nesta sexta-feira, dia 5 de setembro, os dados do Ideb 2013.

Divulgado a cada dois anos, o Ideb aponta a qualidade ou as deficiências educacionais do país e é o resultado de uma análise qualitativa que engloba o retrospecto de estudantes em avaliações realizadas em larga escala e também índices de rendimento que envolve taxas escolares de aprovação, reprovação e abandono.

De acordo com os dados oficiais apresentados pelo Inep/MEC, os índices revelam que no Ensino Fundamental “Anos Iniciais” (correspondente ao ensino do 1º ao 5º ano) a média geral alcançada pela rede pública estadual do Amazonas foi “5,1”, superior à média “4,4” projetada para a rede estadual para este Ideb.

No Ensino Fundamental “Anos Finais” (correspondente ao ensino do 6º ao 9º ano) o resultado da rede também foi positivo, atingindo a média “3,9”, superior à média “3,5” projetada para o Estado pelo Ministério da Educação.

No Ensino Médio, por sua vez, a média da rede estadual foi de “3,0”, superando, também a média projetada pelo Governo Federal que seria de “2,8”.

Conforme análise nacional dos dados, apenas três Estados superaram todas as metas do Governo Federal: Amazonas, Goiás e Pernambuco.

Para o secretário de Estado de Educação, Rossieli Soares da Silva, o resultado é animador e fortalece o comprometimento dos educadores, gestores educacionais e agentes públicos na busca pelo ensino de qualidade. “Sabemos que ainda temos muito a avançar, mas acreditamos que estamos no caminho certo e os números apontam para isso. Superamos todas as projeções indicadas pelo Ministério da Educação e vamos intensificar nossas ações para buscarmos patamares maiores. Alcançaremos isso dando novo impulso às ações projetadas, dentre elas a expansão significativa de nossa rede de ensino em tempo integral, ao programa de reforço escolar, aos programas de capacitação por meio do qual oferecemos recentemente mais de 7 mil vagas em cursos de especialização para nossos professores e em investimentos maciços em tecnologias educacionais”, apontou o secretário Rossieli Silva.

A rede pública estadual de educação, segundo ele, é formada por 571 escolas, 470.061 estudantes e conta com aproximadamente 30 mil servidores, dentre professores, pedagogos, gestores e funcionários administrativos.

 

(COORDENADA) Amazonas possui sistema de avaliação próprio

Criado pelo Inep/MEC no ano de 2007, o Ideb é divulgado a cada dois anos. Pensando em oferecer maiores possibilidades de diagnóstico, a rede pública estadual do Amazonas criou, aos moldes do Ideb, a sua avaliação educacional, cujos resultados, diferentemente da proposta do Inep/MEC, são divulgados todos os anos.

O Sistema de Avaliação do Desempenho Educacional do Amazonas (Sadeam) tem permitido à gestão pública obter um diagnóstico preciso dos rendimentos educacionais da rede como um todo e também individualmente de cada uma de suas 571 escolas. De porte dos dados, a Seduc avalia os rendimentos de suas unidades de ensino em diversas áreas do conhecimento e aponta soluções pedagógicas específicas para as escolas que não alcançaram as metas projetadas.

De acordo com o secretário da Seduc, Rossieli Soares da Silva, o diagnóstico do Sadeam, equipara-se ao do Inep/MEC e, em muitos pontos, é mais preciso. "É mais  preciso pois ele avalia as escolas anualmente; suas avaliações abrangem um maior número de séries e um universo maior de alunos e, o que considero determinante, no ensino médio não é realizado de forma amostral - a partir de um sorteio aleatório de escolas participantes - e sim censitário, com a participação efetiva de todos os alunos", explicou Rossieli Soares.

Reforçando o que foi mencionado pelo titular da Seduc, a gerente de Avaliação do Desempenho Educacional da rede estadual do Amazonas, pedagoga Jane Bete Nunes, explicitou que o Sadeam avalia todos os estudantes matriculados no 5º, 7º e 9º ano do ensino fundamental e também os do 1º e 3º ano do ensino médio. "Já a Prova Brasil realizada pelo Governo Federal e que gera o Ideb, é aplicada somente com alunos do 5º e 9º ano do ensino fundamental e a Avaliação Nacional da Educação Básica (Aneb) com o 3º do ensino médio. Com o agravante de que na última série (3º ano do ensino médio) as provas são amostrais, contemplando apenas um grupo de escolas selecionadas aleatoriamente", citou a gerente.

Rossieli Soares concluiu apontando que conforme o Sadeam, a rede estadual apresentou evolução nas diversas etapas de ensino. "Como exemplo citamos o ensino médio, cuja média geral de nossa rede evoluiu de '3,9' em 2012 para '4,0' em 2013", citou.

 

Destaques amazonenses no Ideb

A partir da divulgação do Ideb observa-se que várias escolas públicas estaduais do Amazonas destacaram-se ao superar as metas estabelecidas.

Destaque na capital, a escola estadual de Tempo Integral Santa Terezinha tem uma trajetória de qualidade ascendente, alcançando nos anos iniciais do ensino fundamental a pontuação "247,89" em Língua Portuguesa na última Prova Brasil (avaliação que gera o Ideb) e "281,69" em Matemática (em ambas as avaliações foram avaliados seus estudantes do 5º ano do ensino fundamental).

Segundo a gestora da escola, professora Waldenise Carvalho Maia, a instituição de ensino colhe os frutos de um intenso trabalho pautado pela dedicação de seus profissionais. “O reconhecimento que nossa escola conquistou é fruto de muita dedicação e empenho de toda nossa equipe que o ano procura trazer inovações para dentro da sala de aula”, explicou.

A professora da escola estadual Santa Terezinha, Nádia Farias, explicou que o segredo está no compromisso e no amor à profissão. “É gratificante ver o desenvolvimento dos nossos alunos. Isso nos move a planejar e a ministrar aulas consistentes”, disse.

Ainda de acordo com a gestora, os resultados obtidos são frutos de uma parceria eficaz que mescla a participação ativa da comunidade em parceria com todas as ações pedagógicas desenvolvidas na escola.

 

Interior

No interior do Amazonas, muitas escolas públicas estaduais também comemoram a excelência alcançada em seus indicadores.

Em Beruri, município distante 173 quilômetros de Manaus, a escola estadual Gilberto Mestrinho, alcançou, na Prova Brasil, a média "260,58" em Língua Portuguesa e "293,19" em Matemática (em ambas foram avaliados os seus estudantes do 5 º ano do ensino fundamental)

Para alcançar tais patamares a instituição investiu na formação de seus professores para garantir o bom rendimento dos alunos.

A gestora da escola, professora Marilene dos Santos Freire, que desde 2007 é responsável por comandar a equipe docente, citou que novas palestras, cursos e a metodologia adotados foram o ponto de partida para que a escola se classificasse como uma unidade de ensino de excelência.

Ainda de acordo com a gestora, a ideia foi fazer com que os professores acompanhassem os alunos na evolução. “Nós precisávamos fazer com que as aulas fossem mais dinâmicas e que a sala de aula se tornasse um ambiente atrativo. Tínhamos professores que nunca tinham passado por uma nova formação, que não sabiam usar computador e hoje já entendem a importância disso”, ressaltou.

Marilene disse ainda que as médias alcançadas é resultado da dedicação dos professores. “Eles entenderam que é preciso melhorar para que os alunos também melhorem, por isso se dedicaram a aprender mais, para que o resultado coletivo desse frutos”.

Desde o início de 2013 a escola recebe o Pacto Nacional pela Alfabetização na Idade Certa (Pnaic), programa do Governo Federal implantado nos estados e municípios com o objetivo de assegurar que todas as crianças estejam alfabetizadas até os oito anos de idade, ao final do 3º ano do ensino fundamental.

Quem coordena as atividades do Pnaic na instituição é a professora Francisca Picanço e ela acredita que as mudanças de agora, com o pacto na escola, e as mudanças de metodologia feitas anteriormente, serão fundamentais para os próximos resultados. “Os alunos de 1º ao 3º anos estão tendo uma atenção especial e quando chegarem para fazer a prova, no 5º ano, a nota pode ser ainda maior”.

Pai de uma aluna da 3ª série do ensino básico, Enéas Nascimento Bragança, decidiu matricular a filha na escola após os bons resultados da unidade. Segundo ele, no município, a escola se tornou referência devido a qualidade do ensino. “Minha filha está muito bem e eu estou gostando de ver essa evolução”. De acordo com ele, a preocupação dos professores com as crianças é o que mais chama a atenção dos pais.

Escola e Família

Investir na inserção da família na escola foi a alternativa da Escola Estadual Professor Castelo Branco, em Envira (distante 1.216 quilômetros de Manaus), que alcançou as médias "296,10" em Língua Portuguesa e "299,19" em Matemática (sendo avaliado seus estudantes do 9º ano do ensino fundamental).

De acordo com o gestor da escola, Getúlio César Gomes, os professores conseguiram perceber problemas familiares e a falta de compromisso dos pais interferiam negativamente no retrospecto do aluno em sala de aula. “Percebendo isso, buscamos uma maior aproximação com as famílias, mostrando a elas que o acompanhamento é fundamental para a evolução de seus filhos. Mostramos como eles podem despertar o interesse dos filhos e nossa motivação trouxe um resultado social positivo”, concluiu.

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