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Programas de geração de renda para mulheres precisam ir além da oferta de cursos, diz socióloga

Programas de geração de renda para mulheres precisam ir além da oferta de cursos, diz socióloga
Programas de geração de renda para mulheres precisam ir além da oferta de cursos, diz socióloga

Manaus/AM - A constatação de que cerca de 60% dos lares da Comunidade da Sharp e conjunto Industriário, na zona Leste de Manaus, são chefiados por mulheres e que 47% delas não têm renda fixa, são autônomas e 23% estão desempregadas, é um indicador muito claro da grande vulnerabilidade delas, afirmou a socióloga Socorro Prado, ao comentar o estudo de impacto social realizado pela unidade gestora na elaboração do Plano Diretor de Reassentamento (PDR), do novo Programa Social e Ambiental dos Igarapés de Manaus (Prosamin+), divulgado pelo Governo do Estado.

Foto: Divulgação

Ao defender a implementação de políticas públicas que ultrapassem a oferta de cursos profissionalizantes, uma das ações realizada pelos governos para fomentar a geração de renda, Socorro lembra que essas iniciativas têm se mostrado insuficientes para suprir as necessidades de renda das mulheres.

“É preciso ter financiamento e orientação para elas empreenderes, pois os cursos não mudam a vida delas, por acabar não suprindo as necessidades de renda e se transformam em bicos, já que muitas que fazem crochê, bordado, por exemplo, acabam desistindo pela baixa lucratividade e dificuldades para comercializar os materiais”, explica a sociológa, destacando a importância de estruturação de uma rede de apoio que vá além da oferta dos cursos. 

Por isso, há necessidade de políticas públicas específicas para elas, que vão além do curso, mas as ajudem a investir e seguir em frente, complementa ela, que é integrante da organização não-governamental Articulação de Mulheres Brasileiras (AMB) e Associação de Mulheres da Amazônia (AMA). 

“Seria importante a reativação do banco da mulher, que já existiu no passado com o objetivo de financia não só a profissionalização, mas também dar o suporte para a comercialização dos produtos. 

Socorro explica que algumas mulheres que fazem artesanato ou trabalham com cozinha, conseguem avançar e ter uma renda, mas é preciso ter uma moradia melhor, que garanta uma segurança, pois viver uma casa sem risco de ser arrastada pelo igarapé, não pagar aluguel, é um reforço, já que os alugueis levam quase toda renda delas.

De acordo com o governo, entre as comunidades situadas na área de intervenção do agora denominado Prosamim+, serão reassentadas mais de 2 mil famílias que vivem sob risco de alagação, além de beneficiar outras 60 mil com saneamento básico e urbanização.

Nesse aspecto ela sugere a ampliação do Prosamim+ para outras áreas da cidade, como o bairro da Redenção, zona Centro-Oeste, onde há grande presença de mulheres em situação de vulnerabilidade.

De acordo com dados do governo, entre as comunidades situadas na área de intervenção do Prosamim+, serão reassentadas mais de 2 mil famílias que vivem sob risco de alagação, além de beneficiar outras 60 mil com saneamento básico e urbanização em um trecho do igarapé do Quarenta, entre as comunidades da Sharp, na zona leste, e Manaus 2000, na zona sul.

O governo destaca que pelo menos 50% das vagas nas instâncias de participação do programa serão ocupadas por mulheres, iniciativa que contempla uma ´política de gênero e diversidade implementada pelo Prosamin+.
Além disso, a representatividade feminina pode ser vista nos Comitês de Representantes das Comunidades (CRC); Agentes de Vizinhança; Escritório de Gestão Compartilhada (ELO) e, principalmente, nos Grupos de Apoio Local (GAL), que são as instâncias de participação comunitária.

Sem desmerecer a importância dos cursos destinados a geração de renda, Socorro afirma que o empreendedorismo é tímido e desigual para as mulheres, que ficam com a responsabilidade de manter a casa, os filhos e tudo o mais que isso representa. 

Por isso, há necessidade de políticas públicas específicas para elas, que possam ir além do curso, para que possam  investir e seguir em frente.

“Nesse ponto, seria importante a reativação do banco da mulher, que já existiu no passado com o objetivo de financiar não só a profissionalização, mas também dar o suporte para a comercialização dos produtos”, finaliza.

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