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Presença de plástico em peixes do Amazonas mostra grande poluição dos rios

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Presença de plástico em peixes do Amazonas mostra grande poluição dos rios
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Por Ana Celia Ossame - Especial para o Portal do Holanda 

Mesmo sem estudos ainda conclusivos sobre quais os riscos para a saúde humana do consumo de peixes que ingeriram resíduos plásticos, essa informação serve de alerta para o descarte incorreto do lixo que acaba sendo levado para os igarapés e rios do Amazonas.

A afirmação é da professora Kedma Yamamoto, doutora em Ciências Pesqueiras nos Trópicos pela Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da doutoranda Maria Glauciney Amazonas.

Segundo elas, que desenvolvem pesquisas nessa área, a contaminação pode chegar ao ser humano através da biomagnificação, que nada mais é o acúmulo progressivo de substâncias entre níveis tróficos, ou seja, da ingestão de um peixe contaminado por um ser humano.

Entre os materiais mais encontrados foram identificados a sacola, linha de pesca e isopor, apontou o estudo, realizado pelas pesquisadoras com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Amazonas (Fapeam), mas já há outros estudos que apontaram a presença dos plásticos em diversos tecidos do corpo humano.

Na literatura existente sobre o tema, houve a constatação de que os plásticos podem interagir com seres humanos por meio da ingestão de peixes contaminados, inalação de micropartículas pelo ar, assim como, pela exposição térmica.

E essas partículas plásticas podem contribuir para que haja perturbação imunológica nos peixes e na fauna aquática de modo geral.

Kedma e Glauciney afirmam ser evidente que tal processo afeta negativamente a cadeia alimentar dos seres vivos, em destaque para a saúde humana. Os peixes são contaminados durante a sua atividade alimentar normal, de forma direta ou indireta.

“Muitos peixes se alimentam de organismos planctônicos, aspirando grande volume de água para então conseguirem engolir vários itens ao mesmo tempo, no entanto, torna-se prejudicial, uma vez que os detritos plásticos dispersos no meio, e podem ser engolidos acidentalmente durante o ato”, afirma Kedma.

Para os peixes, entre os riscos da ingestão dos fragmentos está o de danificar ou bloquear o trato gastrointestinal, gerar respostas inflamatórias, reduzir o crescimento, gerar danos oxidativos, lesões celulares, desregular o sistema endócrino ou até mesmo suprimir a capacidade de energia do animal.

Mas, segundo Kedma e Glauciney não há necessidade de se evitar o consumo de pescados. O fato que deve ser destacado, como mostram esse e outros estudos que foram e estão sendo desenvolvidos na Amazônia é a intensa contaminação do ambiente aquático.

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