Prefeito mostra repúdio à paralisação dos rodoviários

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15/07/2014 16h25 — em Amazonas

O prefeito de Manaus, Artur Virgílio Neto, mostrou repúdio à greve de ônibus que pegou a população e a administração pública de surpresa, na manhã desta terça-feira. A paralisação prejudicou aproximadamente 157 mil usuários das zonas Oeste, Centro-Oeste Norte e Leste da cidade. Além do reforço por meio de veículos de outras empresas, o procurador-geral da Prefeitura de Manaus em exercício, Rafael Albuquerque, esteve no Tribunal Regional do Trabalho pedindo a adoção de medidas que normalizem a prestação do serviço e para que novas paralisações sejam evitadas.

Os rodoviários cobram benefícios trabalhistas para quem foi demitido e para quem continua nas empresas. Segundo o Sindicato das Empresas de Transporte de Passageiros de Manaus, os trabalhadores da categoria passaram a receber reajuste de 6% já neste mês. Para o prefeito Artur Neto, a motivação política é a única justificativa para o ato da categoria.

“A empresa Global já tinha fechado um acordo em cima das férias. O resto está em dias. A São Pedro é uma empresa que trabalha muito bem, mas o pessoal do sindicato tem uma briga com eles e por isso o envolvimento dos trabalhadores na greve. No final, quem perde é a população. Eu sempre respeitei os líderes sindicais, mas quando eles prejudicam o meu povo, eu não posso aceitar”, afirmou o prefeito.

Em meio à greve, em entrevista a uma emissora de rádio local, o prefeito lembrou o acidente na plataforma do Programa Águas para Manaus, que resultou na suspensão do fornecimento de água para moradores das zonas Norte e Leste, desde a última semana de junho. “Nós já temos uma boa parcela da nossa população sofrendo com a falta de água por causa de um acidente irresponsável. Agora querem tirar o transporte também? Até onde a briga por uma eleição é mais importante que o bem estar de uma cidade inteira?”, destacou.

O procurador-geral da Prefeitura de Manaus em exercício, Rafael Albuquerque, esteve no Tribunal Regional do Trabalho, para que sejam adotadas medidas que normalizem a prestação do serviço de transporte na cidade e para que novas paralisações sejam evitadas. O dissídio que havia sido acordado com a categoria ainda está sob análise do TRT e a prefeitura pediu que o sindicato fosse multado em R$ 1 milhão. Outro pedido foi a desobstrução das garagens, garantindo aos motoristas e cobradores que não querem aderir à paralisação a continuidade dos trabalhos. A prefeitura pede também que sejam adotadas providências criminais pelo descumprimento da ação preventiva deferida pelo TRT, em maio deste ano, em favor do Município, impedindo novas paralisações fora das hipóteses legais. Pela decisão liminar, o presidente do sindicato e demais dirigentes deveriam manter distância de 50 metros das portas das garagens e dos terminais e se abster de qualquer ato de violência ou depredação do patrimônio público ou privado e de impedimento da circulação normal dos veículos.

Os pedidos da Prefeitura de Manaus estão sendo analisados pelo TRT e a decisão deve ser divulgada ainda hoje.

Medidas adotadas nas ruas

Como parte das medidas adotadas pela prefeitura para amenizar o sufoco da população devido à greve dos rodoviários, fiscais da Superintendência Municipal de Transportes Urbanos foram deslocados para ambas as garagens por volta das 5h. Nenhum dos 243 ônibus pertencentes à frota da Global e nem os 138 da São Pedro circularam na cidade durante todo o período da manhã.

O SMTU determinou ainda que as outras empresas reforçassem a frota das linhas que atendem os bairros prejudicados pela paralisação. Além disso, ônibus ‘amarelinhos’ do serviço de transporte alternativo foram liberados para seguirem ao Centro.
A partir de meio-dia, 30 veículos da empresa São Pedro foram liberados para circularem e atenderem linhas das zonas Oeste e Centro-Oeste. A Global continua com toda a frota paralisada.
 
Estima-se que aproximadamente 157 mil usuários do transporte coletivo urbano das zonas Oeste, Centro-Oeste e Leste foram afetados com a greve.