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Plataforma digital vai monitorar povos indígenas isolados na Amazônia

 Plataforma digital vai monitorar povos indígenas isolados na Amazônia
Plataforma digital vai monitorar povos indígenas isolados na Amazônia

Por Ana Celia Ossame, Especial para o Portal do Holanda

 

Uma plataforma digital destinada ao monitoramento das condições de vida e território de 114 registros de povos isolados na Amazônia Brasileira reconhecidos pela Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai), foi lançada hoje (16) pelo Observatório dos Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato (Opi), em parceria com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e Operação Amazônia Nativa (Opan).

A ferramenta reúne informações de bancos de dados públicos e de levantamentos de campo das redes do Opi, que combinadas, as informações permitem analisar as condições de vida e dos territórios desses grupos. .

O estado do Amazonas é o que concentra o maior número de registros da presença de povos indígenas isolados, segundo informa o Opi,  comprovando a existência deles praticamente em todas as regiões do estado, sendo na Terra Indígena do Vale do Javari, localizada na fronteira com o Peru, a área onde há o maior conjunto conhecido desses povos no país.

Mas há registros também da presença de indígenas isolados nos estados do Acre, Rondônia, Roraima, Pará e Amapá. Os dados podem ser acessados pelo endereço eletrônico  https://homologacao.povosisolados.org/mapa

No total, são pelo menos 20 as terras indígenas (TIs) com a presença oficialmente confirmada desses povos, o que representa 23% do total de superfície das TIs no País. Das 10 TIs mais desmatadas entre 2008 a 2021, em 7 há registros de isolados.

O projeto é resultado de uma colaboração do Opi com a Coordenação das Organizações Indígenas da Amazônia Brasileira (Coiab) e com a Operação Amazônia Nativa (Opan) e veio em homenagem ao indigenista Bruno Pereira, que completaria 42 anos no último dia 15 se não tivesse sido brutalmente assassinado no Vale do Javari em junho de 2022.

A coleção inaugural da plataforma foi denominada Mopi, palavra que, no idioma zo’é, pode ser traduzida como “fazer ferroar”, apresenta um conjunto completo de dados temáticos a respeito das vulnerabilidades vivenciadas pelos registros de povos isolados reconhecidos pelo Estado brasileiro.

De acordo com o Opi, os esforços iniciais foram concentrados nos 28 registros confirmados a fim de difundir informações a respeito da situação das áreas que ocupam e de seu entorno. 

Além dos povos confirmados, foram incluídas 5 referências em estudo (Katawixi, Igarapé Ipiaçava/Ituna-Itatá, Baixo Jatapu/Oriente, Pitinga/Nhamundá-Mapuera, Karapawyana), grande parte das quais localizadas em Terras Indígenas com Portarias de Restrição de Uso ou em processo de regularização.

O registro de presença do povo Mamoriá, confirmado pela Frente de Proteção Etnoambiental Madeira-Purus em setembro de 2021, mas não oficialmente reconhecido pela Funai no governo Bolsonaro, está na contabilizado na coleção.

Os indicadores de desmatamento, degradação florestal, focos de calor e integridade florestal divulgados na plataforma são os disponibilizados periodicamente pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE).

Já os relativos à área queimada são um produto do sensor Moderate Resolution Imaging Spectroradiometer (MODIS), ao passo que aqueles relativos ao garimpo ilícito foram obtidos no sítio da Rede Amazônica de Informação Socioambiental Georreferenciada (RAISG).

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