Pintura leva professor do Amazonas a vencer o pânico na pandemia

Por Portal do Holanda

13/10/2021 13h54 — em Amazonas

Foto: Divulgação

Manaus/AM - Neste dia 15 de outubro, dedicado aos professores, um deles já aposentado, dá lições de vida para superar o pânico e a ansiedade gerados pela pandemia de Covid-19 que já matou mais de 600 mil brasileiros.

“A pintura me salvou”, afirma o professor Nivaldo Fonseca de Souza, 77, que ficou isolado com a esposa, dona Isabel de Souza, 67, e um filho em casa.

Natural do município de Urucurituba, onde viveu e lecionou por cerca de 60 anos, Nivaldo, é pai de nove filhos e avô de 15 netos. Desde o início da pandemia, os outros filhos quando queriam vê-lo, o faziam da calçada, mantendo o distanciamento social recomendado pela saúde.

“Eu desenvolvi um medo tão grande até de olhar as pessoas, porque era uma coisa que nunca tinha presenciado, essa pandemia gerou um trauma muito grande”, contou ele, que chegou a receber atendimento médico em casa para tratar o pânico.

Mesmo assim, os três da casa pegaram o Covid no início deste ano, entretanto, nenhum desenvolveu a forma grave.

“Eu senti tontura durante dois dias e uma pequena irritação na garganta. Fui fazer o exame, confirmou a doença”, disse ele, que além da medicação passada pelo médico, tomou alguns chás de plantas medicinais.

ATIVIDADES

Sem poder sair, fazer as caminhadas de que gostava e nem mesmo ir para a academia onde praticava atividades físicas, Nivaldo ficou muito deprimido, sintoma agravado pelo medo.

Foi quando o filho levou para ele tintas de óleo vegetal e algumas telas pequenas. “Eu comecei a trabalhar e as telas focam ficando bonitas, meus filhos gostaram e continuei e aquilo mudou a mente, foi uma transformação”, disse Nivaldo.

O sucesso foi tão grade que a maioria dos quadros ou foi levada pelos filhos ou vendida.

Para ele, a grande descoberta foi fazer algo que o agradava, o que o levou ao equilíbrio da mente, ao sentimento de felicidade que reduziu a tensão e o pânico. “Foi um dos remédios mais importantes que já tomei”, afirma.

Além das pinturas, ele começou também a reciclar antenas parabólicas fazendo escudos de times como Flamengo, Vasco, Fluminense e outros, que exibe na varanda da frente da casa, para vender, mantendo todo o distanciamento social. “Já pintei mais de 15 quadros, a maioria foi levada pelos filhos ou vendida”, conta o professor.

Embora se queixe dos preços das tintas e materiais para continuar pintando na quantidade que gostaria, Nivaldo destaca a alegria imensa de ter podido experimentar paz e conforto pintando telas e deixando nas pinceladas o medo pavoroso do Covid-19.

“Tenho certeza de que essa atividade está sendo um dos remédios mais importantes para manter a minha serenidade nesses tempos”, finaliza o professor Nivaldo.


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