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Pesquisa destaca ausência de dados do saneamento em municípios do Amazonas

Pesquisa destaca ausência de dados do saneamento em municípios do Amazonas
Pesquisa destaca ausência de dados do saneamento em municípios do Amazonas

Dos 62 municípios amazonenses só 38 alimentam o Sistema de Informação de Saneamento Básico (SNIS), que permite fazer a monitoração da prestação de serviço no Brasil e têm os dados atualizados. O município de Jutaí, por exemplo, não informa os dados para permitir que a população saiba qual a infraestrutura existente para a prestação do serviço de saneamento básico e abastecimento de água potável.

A informação é do pesquisador em saúde pública do Instituto Leônidas & Maria Deane (ILMD/Fiocruz Amazônia), Marcílio Medeiros, que trabalha em um modelo de governança da gestão para a prestação dos serviços de saneamento básico, inicialmente, em três municípios das regiões do Médio e Alto Solimões, no Amazonas, que são Fonte Boa, Jutaí e Uarini.

A finalidade maior do trabalho é elaborar uma agenda pública para debater o saneamento básico como um direito humano no Amazonas, o qual compreende a garantia do acesso a água potável dentro do domicílio, a banheiros dentro do domicílio e destinação adequada dos dejetos sanitários e resíduos sólidos (lixo), conforme preconiza Lei nº 11.445/2007, que dispõe sobre as diretrizes da Política Nacional de Saneamento Básico

De acordo com Marcílio, que coordena o estudo, o saneamento básico é a política pública do País mais atrasada, apesar de já existir um marco regulatório definido, com princípios para serem alcançados e que norteia a prestação de serviços.

Com isso, os povos e comunidades residentes na zona rural do país são os que mais sofrem as repercussões negativas das Doenças Relacionadas ao Saneamento Básico Inadequado, completa.

Marcílio adverte que os povos e comunidades residentes na zona rural do país são os que mais sofrem as repercussões negativas das Doenças Relacionadas ao Saneamento Básico Inadequado.

Por isso, o debate da governança permitirá enfatizar o princípio da equidade que norteia a Política Nacional de Saneamento Básico. “Em outras palavras, permitirá priorizar o acesso aos serviços das populações no Amazonas possibilitando a criação de ferramentas que reduzam as disparidades”, observou.

Os três municípios selecionados no Amazonas detêm realidades distintas do ponto de vista da dinâmica sociossanitária.

Em Jutaí, cujo comércio é desenvolvido em virtude do garimpo, o que preocupa tendo em vista o impacto da atividade da mineração de ouro sobre a saúde das pessoas, em função do uso do mercúrio.

“Estima-se que 60% do mercúrio utilizado ficam no ambiente, de um litro de mercúrio que utilizam para a fabricação e segregação do ouro, só 40% são eliminados no processo e 60% ficam, na natureza. Estudos da Fiocruz mostram os riscos iminentes dessa exposição para a população”, alerta o pesquisador, lembrando que por meio da água as pessoas se deslocam, produzem alimentos e fazem a higienização pessoal.

A pesquisa, que tem financiamento da Fundação de Amparo à Pesquisa no Estado do Amazonas (Fapeam), conta com a colaboração dos pesquisadores Erivaldo Cavalcanti e Silva Filho e Eloisa Mendonça Gadelha, ambos bolsistas do projeto financiado pela Fapeam e o encerramento está previsto com um seminário em novembro deste ano 2023.

*Com informações da Fiocruz Amazônia

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