No início dos anos 80, eu fazia os cursos de engenharia elétrica e economia na UFAM. Em 1979, João Pedro, Eronildo Bezerra e outros, como George Tasso criaram o CUCA, Centro Universitário do Curso de Agronomia.
Jefferson Praia também estudava Agronomia, posteriormente graduou-se em Economia. Omar Aziz estudava Engenharia Civil e Eduardo Braga Engenharia Elétrica.
Em 1997, quando dava aulas nas engenharias de UFAM, vi Omar ainda estudante. Havia parado, mas voltou e graduou-se.
Alfredo Nascimento estudava Estatística ou Matemática, não sei ao certo. Mas com certeza, lembro-me da cara dele no bloco da Ciências Exatas no campus do Coroado. Depois não o vi mais, sei que se formou em Letras, e o reencontrei nas aulas-palestras ideológicas de Estudo de Problemas Brasileiros I e II ministradas pelos coronéis do Exército Gustavo Fregapani e Breno Celestino, ambos professores de desenho descritivo nos cursos de engenharias, ambos ex-professores meus no Colégio Militar de Manaus, desde quando ainda eram capitães.
Fregapani era ativo funcionário do SNI dentro da Universidade. Em determinada ocasião o vi participando de um debate de alunos da Jaqueira, como membro de uma chapa que concorria para o diretório dos estudantes de Direito; do outro lado, debatiam com ele Thomaz Nogueira, também, seu ex-aluno no CMM, Ana Aleixo, Francy e Fátima Litaiff. Em outra ocasião o vi batendo boca sobre marxismo com um professor colega seu no departamento de Hidráulica e Saneamento da FT.
Omar Aziz, João Pedro, Eron Bezerra, George Tasso e Massami Miki eram Tribuneiros. Vanessa Graziotin, estudante de Biologia, namorava o Hermes, estudante de Engenharia Civil. Vanessa, que andava sempre com a Maristela, a Beth e o Paulo, todos da Biologia, virou Tribuneira, e trocou o Hermes, pelo ideólogo do partido, Eron Bezerra.
João Pedro tornou-se presidente do Diretório Universitário, o DU - que anos depois, teve o nome mudado para DCE, Diretório Central de Estudantes - sucedendo a José Carlos Sardinha, hoje respeitado médico dermatologista, que viria a se filia ao PT,
No grupo dos Tribuneiros também constavam outros nomes que hoje não fazem parte do noticiário político, como os mencionados acima; e mais Lúcia Antony, estudante de Odontologia, que casaria e se divorciaria de João Pedro.
Minha professora de Introdução à Filosofia, no curso de Economia, em 1980, era Marilene Corrêa, hoje doutora em Sociologia, e ex-secretária de Estado de Ciência e Tecnologia, ex-reitora da Universidade do Estado do Amazonas, nos governos de Eduardo Braga e Omar. Nessa eleição de 2010, concorreu ao Senado, junto com Jefferson Praia, na chapa de Alfredo Nascimento.
Em 1982 nasce o PT, e um grupo de estudantes lança a chapa Pé na Terra para disputar a direção do DU. O aparecimento desse grupo irrita os Tribuneiros. Primeiro porque era um grupo concorrente na direção da política estudantil dentro da UA e; segundo, eles alegavam que o novo grupo era o PT camuflado.
Mas o que significava ser Tribuneiro? Significava pertencer a um grupo de estudantes que faziam política dentro da universidade, que distribuiam o jornal Tribuna Operária do PC do B. Defendiam as idéias e ideais stalinistas. E aí daquele que falasse mal da Albânia e do seu ditador Enver Hoxha.
Pés-na-Terra era o grupo ao qual pertencia. Éramos simpatizantes do recém criado Partido dos Trabalhadores. Muito embora, muitos de nós não tivéssemos qualquer ligação direta com o partido. Estávamos lá por discordarmos da ditadura, ou pela afinidade intelectual, ou pelas amizades existentes e por uma universidade de melhor qualidade. Não tínhamos, portanto, a mesma estrutura do PC do B. Havia sim, alguns membros que eram ativos dentro do PT. Éramos pró-trabalhadores, mas não do tipo dos PTBistas, e muito menos defendíamos a implantação do comunismo no Brasil.
Fazia para deste grupo, Thomaz Nogueira, aluno de Direito, funcionário de carreira da SEFAZ-AM, e hoje seu secretário executivo da Receita, trabalhando para o Omar; Públio Caio Bessa Cyrino, estudante de Filosofia, hoje procurador de Justiça; Socorro Jatobá, aluna do curso de Filosofia, hoje professora da UFAM e doutora em Filosofia; Maria Bernadete Mafra de Andrade, aluna de Filosofia, formada em Belas Artes, grande artista plástica, ex-dirigente do Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (IPHAN) , que nos deixou há dois anos; Ângela Bulbol, aluna de Administração, hoje mestra, professora da UFAM e diretora da Escola Municipal de Serviço Público; Rafael e Cirino, mineiros, alunos de Biologia e Geologia, voltaram para Minas após a graduação; Ednaldo Nelson, estudantes de Biologia, é doutor em Biologia e ex-vice diretor do INPA, Beto, aluno de Química, depois pesquisador do INPA; Guilherme, aluno da Geologia, que veio para Manaus, porque sua universidade Unisinos, no RS, tinha pegado fogo; João Evangelista, mais conhecido como João Jaburu, por causa das longas pernas, estudante de Medicina; Ivancir e Arinete, alunos de Geologia e Matemática, que após o casamento se mudaram para o ABC paulista porque queriam ficar mais perto do PT, e vários outros.
Arinete, Tarciso Leão e eu fundamos o Centro Acadêmico de Matemática. Sim, antes de engenharia estudei matemática.
Não vejo o Tarciso Leão pessoalmente há mais de 25 anos. Vi-o nesta eleição na TV, concorrendo ao Senado pelo PSTU. Ele e Irinéia, irmã do Ivancir, posteriormente, sairam do PT para fundar o PSTU no Amazonas; e a linda, loíra e inteligente, aluna de Filosofia, Natacha Andrade; filha do dono do jornal A Notícia, Andrade Neto, desafeto de Fábio Lucena, que o desafiou para um duelo, na praça do Congresso, no melhor estilo do faroeste americano. A Natacha tocava vilão e cantava muito bem. Com isso deixava um Tribuneiro babando na barba.
Entre os professores contávamos com o professor do curso de Medicina, Marcus Barros, futuro reitor e primeiro presidente do Ibama no governo Lula;
Marilene Corrêa, José Ribamar Bessa Freire, o Babá, doutor em História pela Sorbonne e Selda, a generala, todos fundadores do PT-AM e da ADUA, Associação dos Docentes da Universidade do Amazonas. O reitor era o Hamilton Mourão, pai da Arminda Mourão, presidente da Assua, Associação dos Servidores da Universidade do Amazonas, que nem por isso deixava de puxar, de quando em vez, uma greve contra o papai. Seria encomendada ? Yo no lo creo ! Mas lembro-me do chefe de gabinete do reitor, Júlio Bamonte, pedindo-nos que fizéssemos greve em uma determinada situação, pois o magnífico concordava com as nossas reivindicações, mas alegava que não tinha como nos atender, queria ser obrigado a tal.
Não preciso dizer que Pés-na-Terra e Tribuneiros se odiavam. Há várias décadas existia PC do B e PCB; a chegada dos petistas ao mundo irritava muito ao PC do B, que via o seu território ser invadido por um partido menos radical e cheio de intelectuais. Sem passado, e mais digestível que um partido comunista.
Pura bobagem porque o inimigo comum era o Mourão e a ditadura, que já dava sinais de enfraquecimento. A "abertura" já estava em andamento, a campanha de Diretas Já começava a ganhar corpo.
Tribuneiros e Pés-na-Terra tinham algo em comum, não gostavam e falavam mal, inicialmente, da ditadura, e de Hamilton Mourão; depois de Gilberto Mestrinho e de Amazonino Mendes.
Alfredo Nascimento, sargento da Aeronáutica, controlador de voo, odiava Lula (naturalmente !) tanto quanto também o odiavam, João Pedro, Eron, Vanessa Graziotin e Omar Aziz. Este, possivelmente, não morria de amores dos mauricinhos burgueses, do tipo Eduardo Braga, que circulavam no mesmo espaço, nos mesmos blocos da Faculdade de Tecnologia (FT) e do Instituto de Ciência Exatas (ICE), e outros boyzinhos de direita filiados a Arena, que também lançavam suas chapas para o DU. Em determinado ano, uma chapa de direita copiou o logotipo do açúcar União e fez o seu logo, e também publicou uma foto do grupo, buscando mostrar prestígio, com ministro da Aeronáutica Délio Jardim de Matos, o que provocou muito burburinho. Éramos todos jovens.
O DU era oficial, a reitoria marcava a data da eleição e paralizava as aulas para que ela fosse realizada; também pagava a sede e um funcionário. Mas o candidato a presidente e todos os futuros diretores deveriam ter concluído mais de dois terços dos créditos exigidos para a graduação, e o coeficiente de rendimento escolar acima de seis. O que ocorria era que alguns alunos, obviamente, não cumpriam esses requisitos, então eram registrados alunos que cumpriam. Eram registrados na reitoria uma chapa, mas os concorrentes apresentados a comunidade eram outros.
Na eleição de 1982 para o DU, o candidato a presidente pela chapa Pé na Terra foi o Públio; e pelo lado dos Tribuneiros, Eronildo Bezerra; que auto se intitulava, o sujeito mais popular da UA. Foram vários debates, o Públio venceu com a diferença de 1500 votos.
Com os Pés-na-Terra assumindo o DU, as assembléias estudantis pegavam fogo entre os dois grupos. Tinha votação de coisas absurdas. Por exemplo: se o DU deveria ou não apoiar o movimento Solidariedade na Polônia. Os Pés-na-Terra eram a favor, os Tribuneiros eram contra porque o "movimento de Lech Walesa ia de contra a causa operária, servia ao capitalismo burguês." Pode um negócio desses? Que diferença a nossa posição faria? Como afetaríamos o que estava acontecendo na Polônia ?
Houveram lutas que beneficiaram a todos, como o ônibus gratuito entre campi, ambos no Coroado, mas seis quilômetros distantes um do outro; lutávamos por uma melhor qualidade de ensino, por melhores salários para os professores, por reconhecimentos pelo MEC de cursos, por melhores laboratórios, pela instalação do restaurante universitário (RU), pela retirada do histórico escolar das disciplinas reprovadas, sem, obviamente, afetar o cálculo do coeficente de rendimento, onde o aluno tinha opção de pedir o histórico com ou sem reprovação, pela escolha pela comunidade universitária dos diretores das faculdades e institutos e pela eleição direta para reitor; que aconteceu depois de 13 anos de reinado do Mourão, que caiu porque o Marcus Barros e outros descobriram as traquinagens que o magnífico fazia com aplicações no "overnight" do dinheiro da Universidade. O presidente Figueiredo não teve outra opção, com uma canetada oposentou o Mourão.
Na primeira eleição direta para reitor venceu Roberto Vieira, e na sequência viria Marcus Barros.
Havia um terceiro grupo, o pessoal do PCB, tendo como um dos seus lideres Guto Rodrigues, que nessa eleição concorreu para deputado federal, e Lino Chixaro, hoje advogado, ex-presidente da Assembleia estadual, quando eleito, em 2002, pelo PPS de Eduardo Braga. Isso mesmo, naquele ano Braga foi eleito pelo PPS. Também fazia parte desse grupo o hoje delegado de polícia, Mariolino Brito. A característica desse grupo era querer agradar gregos e goianos. Quando viam o pau quebrando entre Tribuneiros e Pés-na-Terra, se posicionavam fazendo o gênero em cima do muro, fazendo o tipo paz e amor. Por isso às vezes eram chamados de comunistas cor de rosa.
Tinha também o folclórico Movimento Socialista Estudantil, que em todas as assembleias se posicionava, e era composto de um único sujeito. ( Quem se lembra o nome dele?).
As nossas diferenças não nos impediram de irmos juntos há dois encontros nacionais da UNE. O 34º Congresso realizado em Piracibada, SP, em 1982, e o de Cabo Frio, RJ, no ano seguinte. Para Piracicaba fui com o João Jaburu, Rafael, Nelson, Arinete e Ivancir do nosso grupo, e João Pedro, Tasso e outros do grupo deles. Éramos uns trinta ou mais. Fomos de ônibus até Porto Velho; em seguida de avião até Cuiabá, e novamente de ônibus até Piracibada. O anfitrião, peitando a ditadura, foi o prefeito da cidade, João Herrmann Neto. Ficamos hospedados nas salas de aulas da Universidade Metodista de Piracicaba - UNIMEP. Neste congresso, Lula esteve presente, como presidente dos Partidos dos Trabalhadores. Piracicaba já havia sediando, dois anos antes, o 32º Congresso, mas dessa vez a tensão era maior, pois quem presidia a UNE, era um sujeito que chegou ao Brasil com 5 anos de idade, Javier Alfaya, mas que corria o risco de ser expulso por ser estrangeiro fazendo política.
Durante o congresso "a inteligência do regime militar executou a Operação Pira que teve ação conjunta de 8 equipes do Exército, Marinha, Aeronáutica e Departamento de Polícia Federal. A operação Pira tinha como objetivo colher informações sobre os próximos movimentos dos estudantes e propaganda política."
Após graduados, os Pés-na-Terra - que era um grupo, volto a repetir, de filiados e não filiados ao PT – se dispersaram, tomando rumos fora da política profissional. Os nossos encontros eram na Universidade, ou no DU, nunca na sede do PT; embora fossemos simpatizantes da causa petista.
Os ex-Pés-na-Terra tornaram se bons profissionais em diversas áreas. Eram bons alunos. E sem falsa modéstia, o grupo era formando de estudantes de capacidade intelectual acima da média.
Se naquela época, um maluco fizesse precisões do rumo que tomaria a vidas dos Tribuneiros, diria-se que com certeza ele tinha fumado maconha estragada.
Hoje para os ex-Tribuneiros é Deus no Céu e Lula na Terra, que eles odiavam muito. Seria total insanidade dizer que João Pedro largaria o PC do B e se filiaria ao PT, chegando a ser presidente Regional. Esperto, com a queda do Muro de Berlin mudou de partido, percebeu que o mundo tinha mudado, e que a doutrina marxista-lenista ficou difícil de ser defendida. Antes foi vereador e deputado estadual pelo PC do B, e até março deste ano era senador pelo PT. Voltando ao tempo, é impossível de acreditar, tanto quanto era absurdo prever, que o militar Alfredo Nascimento, passaria por todos os cargos que passou, e seria ministro de Lula, e Marcus Barros não. Vanessa Graziotin, eleita vereadora, foi capultada da Câmara Municipal de Manaus para a Câmara Federal por um sanafão que levou da também vereadora Conceição Lins, em pleno plenário. Se o catiripapo não foi forte o suficiente para Vanessa fazer a viagem intercâmaras, o ex-presidente regional do PT, o Taqui Pra Ti José Ribamar Bessa Freire, deu uma força fazendo com que o eleitor até o dia da eleição não se esquecesse da surra que a Vanessa levou. E isso serviu de combustível para a sua viagem até Brasília. No próximo ano, ela volta ao DF, não mais como deputada federal, mas como senadora, eleita graças, pasme (você que morreu na primeira metade da década de oitenta, e reencarnou recentemente ) com ajuda de Lula e Eduardo Braga.
Vanessa e Omar sempre lutaram por um lugar ao sol, digo no plenário. Omar foi vereador e deputado estadual mais votado, para isso foi até presidente de escola de samba. Mas foi o Amazonino quem o indicou para ser vice-prefeito de Alfredo e vice-governador de Eduardo Braga.
Eron Bezerra, deputado estadual, ex-secretário estadual de Produção Rural - cargo que conseguiu para parar de fazer oposição ao governo de Eduardo Braga, - tentou ser federal, mas não conseguiu. Os votos da mulher dele migraram para o caçador de corruptos, o vereador federal, Francisco Praciano, do PT. Lúcia Antony concorreu para estadual, mas vai ser vereadora, com a eleição do vereador Marcelo Ramos (PSB) para Assembleia. George Tasso, no momento continua como secretário estadual de questões fundiárias. Cargo que chegou apadrinhado por Arthur Virgílio Neto, quando o PSDB ainda fazia parte do primeiro governo de Braga. João Pedro, suplente do senador Alfredo Nascimento, poderá voltar ao Senado, se Alfredo for escolhido para ser ministro em um possível governo de Dilma Roussef. O que não é impossível. Massami Miki, perdeu para estadual vai continuar vereador. E com Omar Aziz eleito governador do Amazonas, e Vanessa Graziotin eleita senadora, constato aqui, sem nenhum julgamento moral, apenas como uma notícia, que os Tribuneiros chegaram lá.
E o Jefferson Praia citado no início do texto, o que ele tem haver com isso, se ele não era Tribuneiro ? Não era, mas estudava com eles. Ele e João Pedro estudavam juntos, ambos se tomaram senador pela via indireta, suplentes que se tornaram titulares. Os dois entraram, os dois sairam. João Pedro continua suplente; Praia concorreu a reeleição e perdeu, azar do Senado.
Não sei se o leitor captou. Captou sim. Esse texto é sobre os Tribuneiros ? Com certeza. Mas é também sobre o inimaginável. Quando é que nós poderíamos imaginar que João Pedro um dia fosse suplente de Alfredo Nascimento. O primeiro era pós-graduado em política, comunista assumido. O segundo, pacato cidadão, low profile, que nas aulas ideológicas de EPB concordava com tudo que os coronéis falavam, porque acreditava piamente naquilo. Tinha ojeriza a comunistas, petistas, emedebistas, sindicalistas, etc. Só pensava no que faria no dia que fosse para a reserva. Talvez economizando um pouco do soldo extra, que recebia quando era transferido, para ajudar na mudança, sobrasse dinheiro para comprar um puxadinho na Ponta Negra. Não nessa daqui, naquela de lá da terra dele, sua cidade Natal.
Era insanidade prever que o Omar e Vanessa, que faziam política 24 horas, iriam ser governador e senadora, graças à ajuda dada pelo boyzinho, que não fazia política nenhuma, ia para o campus apenas estudar. Mas ninguém está dizendo que foi um aluno aplicado.
Por conta dessa vida agitada que era o campus e ICHL ( Instituto de Ciências Humanas e Letras) no fim da ditadura, que quando fui estudar nos Estados Unidos em 86, fiquei decepcionado quando vi estudantes brincando no campus, andando de patis, skate, fazendo piquenique nos gramados. Para mim eram um bando de alienados.
Política é arte do impossível. Para Deus (espero que ele me perdoe por isso) e na política tudo é possível. Os políticos seguem a máxima criada pelo ACM Toninho Malvadeza: " Na política nunca seja tão amigo que não possa brigar, e nem tão inimigo que não possa compor." O Príncipe tem muito que aprender com esses sujeitos.
Contudo, jamais um jovem capitão ou major, que tinha o sonho, nos anos oitenta, de se tornar ministro do Exército, teria o pesadelo de bater continência para o “sindicalista baderneiro”, o “sapo barbudo”. Mas aconteceu, e hoje como comandante da Arma, deve fazê-lo com a maior tranquilidade. Mas tem muita gente que parou no tempo, e ainda não sabe que o Muro de Berlin já caiu, e com isso os dois lados começaram a conviver sob nova realidade.
Cláudio Nogueira é professor, auditor fiscal, engenheiro e economista,
