Na primeira quinzena de janeiro deste ano, o Amazonas registrou 223 casos de febre oropouche, ultrapassando mais da metade do total do ano anterior, que teve 424 registros de janeiro a dezembro de 2023. Diante desse aumento expressivo, a Fundação de Vigilância em Saúde (FVS) do estado emitiu um alerta epidemiológico, embora não tenham sido reportados casos fatais até o momento.
De acordo com o Estadão, a febre oropouche, transmitida pelo mosquito Culicoides paraense (maruim) e, possivelmente, pelos mosquitos do gênero Culex, apresenta sintomas similares aos da dengue e chikungunya. O ciclo da doença envolve hospedeiros como primatas e bicho-preguiça no ambiente selvagem, enquanto no ciclo urbano, os seres humanos são os principais hospedeiros.
O período de incubação do vírus é de quatro a oito dias, com sintomas manifestando-se por cerca de cinco a sete dias, e a recuperação total pode levar semanas, conforme indicado no alerta emitido. Os casos recentes estão concentrados em adultos jovens (20 a 59 anos), mas há registros em todas as faixas etárias. Atualmente, não há vacina ou antiviral disponível para tratar a febre oropouche.
Segundo a infectologista Emy Akiyama Gouveia, do Hospital Israelita Albert Einstein, cientistas e pesquisadores alertam sobre a emergência do vírus oropouche no Brasil há anos. O considerável aumento no número de casos é motivo de preocupação devido ao risco de propagação da doença para outros estados.
A transmissão ocorre pelo mosquito Culicoides paraense no ciclo urbano, envolvendo a interação homem-mosquito-homem. No ciclo silvestre, alguns mamíferos e aves são hospedeiros, com a transmissão possível por outras espécies de mosquitos. O homem se infecta ao adentrar áreas de mata, transportando a infecção para as cidades e mantendo o ciclo de transmissão. Existe uma apreensão significativa quanto à possibilidade de surtos urbanos.
A médica Gouveia destaca que os sintomas da febre oropouche são semelhantes aos da dengue, e nem todos os laboratórios do país estão capacitados para diagnosticar corretamente a doença. Ela alerta que o vírus pode estar circulando em algumas regiões do Brasil sem detecção, e os casos no Amazonas podem representar apenas a ponta do iceberg.
Embora o Amazonas ainda não caracterize o aumento de casos como um surto, reconhece a necessidade de monitoramento constante e orienta, no alerta epidemiológico, a notificação de todos os casos suspeitos e confirmados.
O problema começou a se intensificar em dezembro do ano anterior, quando foram registrados 199 casos até o início de janeiro de 2024, um aumento significativo em comparação com apenas três casos no mesmo período do ano anterior. A FVS orienta a eliminação de criadouros do mosquito, enfatizando a importância de medidas como a limpeza de terrenos, caixas d'água e a prevenção de água parada para evitar a deposição de ovos pelos mosquitos. Além disso, a instituição emitiu uma nota técnica para intensificar as ações de vigilância, prevenção e controle da doença.

