O tenente-coronel da PM Berilo Bernardino de Oliveira, preso desde o dia 24 de abril deste ano na operação “Gaia”, desencadeada pela Polícia Civil, ingressou com exceção de suspeição contra o promotor de Justiça Jefferson Neves de Carvalho, que atua junto à 7ª Vara Criminal, por haver flagrantes evidências de inimizade entre o oficial e o representante do Ministério Público Estadual.
Os autos que eram para tramitar em segredo de Justiça estão abertos na 7ª Vara Criminal, onde a juíza Careen Aguiar Fernandes, na terça-feira, 15, abriu vista ao Ministério Público.
De acordo com Berilo, o promotor tem se utilizado dos procedimentos administrativos e judiciais como forma de vingança pessoal em decorrência de rancor e mágoa por fatos do passado, prejudicando a imparcialidade do representante ministerial para atuar no feito.
Berilo disse que o ressentimento do promotor contra ele começou em março de 2001, quando o militar era chefe de delegacia em Itacoatiara e, durante ocorrência policial, o representante do MP tentou intervir em um auto de prisão em flagrante de agressão da esposa de um policial militar contra outra senhora.
“A mulher tinha dado várias lambadas de fio elétrico na rival e o caso foi parar na delegacia”, relatou o oficial, afirmando que o policial, ao saber do flagrante, saiu da delegacia e voltou em companhia do promotor Jefferson, que perguntou o motivo a prisão e lhe foi informado e mostradas as provas da agressão, o fio elétrico.
O promotor, então, procurou o juiz Genesino Braga, que foi até a delegacia, mas, ao tomar ciência dos fatos, preferiu não intervir e afirmou que o oficial PM apenas cumpria seu dever.
O oficial disse ter a certeza de que o caso deixou o promotor revoltado. Berilo, afirma que ele e o representante do Ministério Público, tiveram outros problemas, demonstrando a “rixa pessoal” de Jefferson.
“Ele aproveitou essa operação para, dessa vez, tentar a vingança”, informou Berilo, afirmando que o promotor, sabendo das desavenças que tinha com o oficial, deveria ter se julgado suspeito na ação, mas, ao contrário, sempre fez de tudo para prejudicá-lo, com a intenção de se vingar de um fato ocorrido entre eles há mais de 10 anos.
A DEFESA DO PROMOTOR
O promotor de Justiça Jefferson Neves de Carvalho disse por telefone ao Portal do Holanda que não tem nenhuma mágoa, rancor ou divergência com o tenente-coronel da Polícia Militar, Berilo Bernardino de Oliveira. Com relação ao episódio ocorrido em Itacoatiara, quando o oficial era capitão, o representante do Ministério Público declarou que agiu como fiscal da lei, por considerar que o auto de prisão em flagrante que estava sendo na ocasião era ilegal.
“Fui chamado por um soldado, informando que sua mulher tinha sido presa”, relatou o promotor, afirmando que foi à delegacia falar com o chefe, na época Berilo, que entendeu ter de lavrar o flagrante da suposta agressão a um cabo da PM. “O flagrante foi lavrado, mas a prisão relaxada pelo juiz e o processo acabou arquivado”, acrescentou.
Jefferson disse que já encontrou várias vezes com o coronel da PM e sempre os dois se cumprimentaram cordialmente. “Caberá à juíza do processo julgar se tenho parcialidade para continuar atuando no processo”, disse o promotor, afirmando que irá apresentar sua defesa à juíza Careen Aguiar Fernandes, que decidirá.

