Senhor Holanda, peço encarecidamente que o senhor divulgue esse desabafo.
Por Sandra Alberta de Lins
A maioria das famílias amazonenses vive com um mísero salário mínimo de R$ 510 por mês. Uma situação por si só injusta, mas de causar indignação quando se sabe que o sistema de segurança pública gasta, em média, R$ 1,5 mil para manter um preso na cadeia. No presídio, o preso tem direito a café da manhã, almoço e jantar, a alimentação deve ser balanceada, daí a necessidade de um nutricionista. Preso também tem direito à assistência médica e odontológica, e ainda, assistência psicológica. Quer dizer: casa, comida e roupa lavada.
São dados que causam revolta. Parte da população amazonense sobrevive com salário mínimo que deveria fazer face às despesas de moradia, alimentação, educação, assistência médica, transporte, lazer, como reza a Constituição. Mas esse direito da maioria só existe mesmo na teoria, porque na prática a situação é bem diferente.
Hoje o Amazonas "sustenta" 5.096 presos, uma média de 150 presidiários por 100 mil habitantes. Só este ano, 568 novos inquilinos, agora mantidos às nossas custas, deram entrada nas oito unidades prisionais de Manaus e do interior (Parintins, Tefé, Manacapuru e Itacoatiara).
Para cuidar de todo esse pessoal do mal o Estado tem apenas 150 carcereiros, dos quais 100 são lotados nos presídios de Manaus e o restante divididos pelos municípios já citados. Um agente penitenciário tem sob sua responsabilidade nada menos que 200 presos. Resultado: Motins, rebeliões, fugas.
Os últimos episódios envolvendo esses bandidos que solapam da sociedade R$ 1,5 ao mês, cada um, é um retrato da situação dos presídios na capital e interior: a "saída criminosa e conivente" de sete perigosos bandidos de regime semi-aberto e que foram recapturados quando estavam assaltando quem paga para mantê-los, a rebelião com três mortos na Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, no Centro e hoje o motim também com três mortos na delegacia de Iranduba.
A marginalidade cresce desproporcionalmente à capacidade do Estado em construir, manter e administrar presídios. Exemplo disso é que dois novos presídios estão sendo construídos e um deles será entregue ainda no início de 2011, mas já estarão com a capacidade esgotada quando receberem os presidiários.
A Raimundo Vidal Pessoa será desativada, numa ação correta, porque não dá mais para manter um presídio no Centro da capital, colocando em risco a vida de inocentes. O déficit de vagas que hoje situa-se em 1,5 mil só vai aumentando.
Pior mesmo só as demais regalias dos presos, especialmente os xerifes, que mandam e desmandam. Mesmo presos, eles continuam mostrando um poder maior que o próprio sistema.
O que fazer? Não se quer, com tudo isso, insinuar que os presos não devam ter os direitos assegurados pela Constituição. Mas, alertar que uma coisa é ter direito, outra é dar tanto poder aos bandidos que, no momento em que eles quiserem, até o governador vai negociar com eles. Se alguém duvida, é só lembrar que quando eles se rebelam, a primeira exigência é que a OAB e o Poder Judiciário estejam presentes. E eles vão. No dia em que deixarem de ir, pode ser que pelo menos esse poderio acabe.
Um agente penitenciário disse ao seu Blog, Holanda, que a situação é insustentável em qualquer presídio de Manaus. Eles (agentes) estão lá para garantir o que os presos querem. Como eles são infinitamente em menor número, acabam tendo que se submeter aos desejos dos criminosos. Daí, numa revista de rotina, ser comum encontrar armas, munições e drogas em poder dos bandidos.
Pelo andar da carruagem, não vai demorar muito para dizerem por aí que nós, os cidadãos de bem é que somos bandidos enquanto permitirmos que eles assumam o poder.
Pronto, desabafei. Ufa !!! . Publica, Holanda, senão eu vou chorar mais essa descoberta. A de que até você também é conivente com esses desmandos.
Sandra Alberta de Lins
Por Sandra Alberta de Lins
A maioria das famílias amazonenses vive com um mísero salário mínimo de R$ 510 por mês. Uma situação por si só injusta, mas de causar indignação quando se sabe que o sistema de segurança pública gasta, em média, R$ 1,5 mil para manter um preso na cadeia. No presídio, o preso tem direito a café da manhã, almoço e jantar, a alimentação deve ser balanceada, daí a necessidade de um nutricionista. Preso também tem direito à assistência médica e odontológica, e ainda, assistência psicológica. Quer dizer: casa, comida e roupa lavada.
São dados que causam revolta. Parte da população amazonense sobrevive com salário mínimo que deveria fazer face às despesas de moradia, alimentação, educação, assistência médica, transporte, lazer, como reza a Constituição. Mas esse direito da maioria só existe mesmo na teoria, porque na prática a situação é bem diferente.
Hoje o Amazonas "sustenta" 5.096 presos, uma média de 150 presidiários por 100 mil habitantes. Só este ano, 568 novos inquilinos, agora mantidos às nossas custas, deram entrada nas oito unidades prisionais de Manaus e do interior (Parintins, Tefé, Manacapuru e Itacoatiara).
Para cuidar de todo esse pessoal do mal o Estado tem apenas 150 carcereiros, dos quais 100 são lotados nos presídios de Manaus e o restante divididos pelos municípios já citados. Um agente penitenciário tem sob sua responsabilidade nada menos que 200 presos. Resultado: Motins, rebeliões, fugas.
Os últimos episódios envolvendo esses bandidos que solapam da sociedade R$ 1,5 ao mês, cada um, é um retrato da situação dos presídios na capital e interior: a "saída criminosa e conivente" de sete perigosos bandidos de regime semi-aberto e que foram recapturados quando estavam assaltando quem paga para mantê-los, a rebelião com três mortos na Penitenciária Raimundo Vidal Pessoa, no Centro e hoje o motim também com três mortos na delegacia de Iranduba.
A marginalidade cresce desproporcionalmente à capacidade do Estado em construir, manter e administrar presídios. Exemplo disso é que dois novos presídios estão sendo construídos e um deles será entregue ainda no início de 2011, mas já estarão com a capacidade esgotada quando receberem os presidiários.
A Raimundo Vidal Pessoa será desativada, numa ação correta, porque não dá mais para manter um presídio no Centro da capital, colocando em risco a vida de inocentes. O déficit de vagas que hoje situa-se em 1,5 mil só vai aumentando.
Pior mesmo só as demais regalias dos presos, especialmente os xerifes, que mandam e desmandam. Mesmo presos, eles continuam mostrando um poder maior que o próprio sistema.
O que fazer? Não se quer, com tudo isso, insinuar que os presos não devam ter os direitos assegurados pela Constituição. Mas, alertar que uma coisa é ter direito, outra é dar tanto poder aos bandidos que, no momento em que eles quiserem, até o governador vai negociar com eles. Se alguém duvida, é só lembrar que quando eles se rebelam, a primeira exigência é que a OAB e o Poder Judiciário estejam presentes. E eles vão. No dia em que deixarem de ir, pode ser que pelo menos esse poderio acabe.
Um agente penitenciário disse ao seu Blog, Holanda, que a situação é insustentável em qualquer presídio de Manaus. Eles (agentes) estão lá para garantir o que os presos querem. Como eles são infinitamente em menor número, acabam tendo que se submeter aos desejos dos criminosos. Daí, numa revista de rotina, ser comum encontrar armas, munições e drogas em poder dos bandidos.
Pelo andar da carruagem, não vai demorar muito para dizerem por aí que nós, os cidadãos de bem é que somos bandidos enquanto permitirmos que eles assumam o poder.
Pronto, desabafei. Ufa !!! . Publica, Holanda, senão eu vou chorar mais essa descoberta. A de que até você também é conivente com esses desmandos.
Sandra Alberta de Lins

