Se o governo estadual não se reequilibrar, ficará mais difícil a melhoria sustentável dos padrões de governança em Manaus. E o crime continuará aprisionando as pessoas de bem em seus comércios, em suas casas, em suas noites, deixando livres os que assaltam, traficam e matam. E a saúde pública de média e alta complexidade se afundará em mais e mais caos.
FUTURO DO AMAZONAS I
Por Artur Virgilio Neto
É hora de enxergar além do horizonte. O Brasil, a meu ver, vive os momentos finais da maior crise econômica de sua história. A perversa recessão, que começou a mostrar suas garras já nos dois últimos trimestres de 2014, foi a mais longa e extenuante de todas.
É uma boa notícia, mas faz-se necessário alertar que as consequências ainda se farão sentir por bom tempo, sob a forma de recuperação lenta do emprego e, portando, convivência com taxas elevadas de desemprego por período longo e, a partir daí, dissolução de famílias, aumento do índice de consumo de drogas ilícitas e álcool, baixa autoestima dos cidadãos e cidadãs, aumento da prostituição e criminalidade e consequente espaço para o crescimento e consolidação das facções criminosas que disputam impunemente nosso país e nossas cidades, como se fossem donatárias, em guerra, de uma capitania hereditária esfacelada e socialmente injusta.
Aqui, damos o nosso melhor para sobreviver. Foi com orgulho e sensação de dever cumprido que recebemos, Marcos Rotta e eu, a densa análise da Federação das Indústrias do Rio de Janeiro, que considerou Manaus a capital de finanças mais saudáveis dentre todas. Já estamos, aliás, concluindo o planejamento estratégico que orientará nossos passos entre 2018/2030. A ordem é enfrentar o cotidiano e, ao mesmo tempo, pensar o futuro com realismo e ousadia.
Se o governo estadual não se reequilibrar, ficará mais difícil a melhoria sustentável dos padrões de governança em Manaus. E o crime continuará aprisionando as pessoas de bem em seus comércios, em suas casas, em suas noites, deixando livres os que assaltam, traficam e matam. E a saúde pública de média e alta complexidade se afundará em mais e mais caos.
Muito comumente as realidades das duas instâncias (capital e estado) se entrelaçam e passam a exigir soluções irmanadas. Tal fato explica a opção que fiz na eleição em curso. Escolhi o candidato que declarou solenemente não ambicionar nada além da oportunidade nobre de fechar sua vida pública com a plena restauração econômica e administrativa do Amazonas.
Minha conversa com Amazonino foi simples e direta: acordo específico para este pleito, restabelecimento da ação conjunta com Manaus e uma ação de governo que haverá de recuperar o estado, para entrega-lo, saudável, ao eleito em outubro de 2018. Senti sinceridade no meu arquiadversário. Senti compromisso e desambição. Selamos o acordo pelo Amazonas. Cedi-lhe o nome valoroso do deputado Bosco Saraiva para a vice-governadoria. Mergulhamos na campanha, minha esposa, Rotta e eu, procurando agregar o máximo de credibilidade à candidatura do líder, escolhido por tantos, que não pensa em reeleição e sim no povo que o amparou em tantas caminhadas. Se pretendesse a recondução, como outros pretendiam, certamente que se perderia em articulações políticas e subtrairia tempo precioso do trabalho de reconstrução do Amazonas. De antemão, não daria certo e, em tal hipótese, minha modesta participação não seria possível.
Sinto-me tranquilo, em relação à decisão adotada por mim e por meus companheiros e companheiras. Que Deus proteja o novo governador e sempre o ilumine na direção da humildade, da lealdade e do compromisso de honra com nossa gente.
Amanhã voltaremos a “nos ver”. Precisamos conversar sobre o estado de espírito da sociedade e também sobre o futuro do Polo Industrial de Manaus, que deve ser repensado e revitalizado com ideias e realizações contemporâneas.
Um abençoado fim de semana a todos.





