Por Ana Celia Ossame, especial para Portal do Holanda
Quem nunca admirou o Rio Negro, parando por alguns minutos na orla da Manaus Moderna e esticando o olhar até a outra margem ou em alguma embarcação que passa, perde uma oportunidade genuína de contemplar uma das belezas naturais mais importantes da capital do Amazonas, que neste dia 24 de outubro, celebra 355 anos de fundação.
O modo de olhar a cidade, exercitando o ato ver, enxergar belezas que nem sempre estão visíveis à primeira vista é o exercício que o artista visual Otoni Mesquita, 70, doutor em História da Arte e professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), propõe aos manauenses nesse aniversário da cidade.
Manaus tem inúmeros locais onde se pode exercitar o ato de olhar e ver a cidade, nas suas belezas naturais ou nas que foram erguidas, afirma Otoni, indicando pontos como a Escadaria da Rua Xavier de Mendonça, no bairro de Aparecida, Zona Sul, onde é possível contemplar o Rio Negro, possibilidade que se repete também na orla do bairro de São Raimundo, Zona Oeste, no Parque Rio Negro, onde é possível caminhar para contemplar as belezas da capital amazonense.
Otoni lembra do Rio do Tarumã, o grande e o pequeno, cujas águas estão poluídas, assim como o Igarapé do Mindu, que mesmo poluídos são espaços que podem ser conhecidos e visitados pelos manauenses. O Passeio do Mindu é um espaço criado para essa contemplação, embora não haja ações para despoluição do leito do igarapé, lamenta.
Sobre as praças de Manaus, exceto a do Largo de São Sebastião, que é hoje o maior alvo das visitações e frequentadores, o artista visual indica algumas belas praças como a Heliodoro Balbi, mais conhecida como Praça da Polícia, no Centro, Zona Centro-Sul, como merecedoras de um olhar atento do visitante, por ter uma história importante a ser conhecida. E as praças da Saudade e do Congresso, que também pontos de admiração e aprendizado da história de Manaus.
Na orla da cidade, área do histórico Mercado Adolpho Lisboa, Otoni chama a atenção também para Feira da Manaus Moderna, também conhecida como Feira da Banana, onde os moradores vão em busca das frutas regionais.
Dali e a alguns passos, a praia do entorno da feira e do mercado pode ser contemplada na sua extensão maior devido à vazante recorde do Rio Negro deste ano.
“São espaços onde as pessoas podem circular, ainda que tenha lixo demais, mas é um ponto turístico tradicional porque dali vê-se as os motores, as embarcações que são aspectos da cidade que estão aí todos os dias e não valorizados”, explica o artista, lembrando que ao conhecer a cidade, aprender a vê-la em amplos aspectos, vai permitir aos manauenses cuidar e preservar o que Manaus tem de melhor e mais bonito.



