Manaus/AM - A presidente da Associação Instituto Liberdade do Amazonas, Luciane Farias, esposa de Clemilson dos Santos Farias, apontado como líder do Comando Vermelho (CV) no estado, fez um apelo ao presidente Lula (PT) para reforçar as políticas de proteção a defensores de direitos humanos. Ela concedeu entrevista para o site Uol, divulgada nesta sexta-feira (17).
Luciane relatou que vem sofrendo ataques nas redes sociais devido à sua participação em eventos oficiais promovidos pelo governo Lula, sendo apelidada de "Dama do Tráfico". Ela expressou que o apelido causou danos irreversíveis e a afetou mentalmente. Afirmou também que suas filhas estão sendo impactadas psicologicamente e recebem tratamento com terapia e acompanhamento psiquiátrico.
Casada há 22 anos com Clemilson, conhecido como Tio Patinhas, Luciane negou ter qualquer relação com organizações criminosas. Ela destacou que sua filha mais velha, pressionada quando o pai foi preso em 2018 com uma arma na cabeça, tentou suicídio aos 11 anos e agora, aos 16, toma medicações. A filha mais nova também enfrenta ansiedade e consulta um psicólogo.
Luciane apelou ao presidente Lula para sensibilizá-lo sobre a situação de ativistas de direitos humanos e solicitou a criação de protocolos para proteção.
"Quero sensibilizar nosso presidente, que passou pelo sistema, a Janja que já visitou. Talvez eles não tenham passado por tantas mazelas, porque o status é diferente. Queria que olhassem para gente, ativistas de direitos humanos, e criassem protocolos para nos proteger. Queria que olhassem para mim como a esposa de uma pessoa que errou, mas não como uma criminosa", disse Luciane ao Uol.
Ela questionou a impossibilidade de entrar no Congresso Nacional, ressaltando que, sem sentença condenatória, não deveria ser tratada como criminosa. Afirmou que, como cidadã e votante, deseja que suas pautas sejam ouvidas, relembrando sua visita a Brasília em 2019, quando não foi recebida por órgãos vinculados ao governo Bolsonaro.
Condenação
Luciane e o marido foram condenados pela 2ª instância da Justiça do Amazonas por tráfico de drogas, lavagem de dinheiro e organização criminosa. Clemilson cumpre a pena de 31 anos e 7 meses em regime fechado. Ela foi condenada a 10 anos de prisão, mas pode recorrer em liberdade. Ela afirma que não é condenada, pois o processo ainda não consta como trânsito em julgado, podendo recorrer aos tribunais superiores.
Luciane também rejeita a acusação de que sua associação recebe recursos do Comando Vermelho. Ela nega qualquer relação com o tráfico de drogas.
A esposa de Tio Patinhas explicou que criou a associação para buscar melhores condições aos presos, após ela e as filhas passarem por constrangimento e que só buscou ajuda de órgãos federais após receber negativas no Amazonas.

