O Ministério Público Federal no Amazonas e o Ministério Público do Estado do Amazonas entraram com ação na Justiça, com pedido de urgência, para obrigar a União e o Estado do Amazonas a garantirem o fornecimento contínuo do medicamento Gilênia, utilizado no tratamento de pessoas com esclerose múltipla.
Associação de Portadores de Esclerose Múltipla do Amazonas (Apeam) fez uma denúncia ao MPF relatando que o fornecimento do medicamento foi suspenso pela Central de Medicamentos do Amazonas (Cema) desde novembro do ano passado.
Por telefone, a direção da Cema informou que vem tentando, sem sucesso, comprar o medicamento no Amazonas por dispensa de licitação, e ressaltou ainda que o número de usuários frequentes do remédio é ainda maior que o apontado pela associação.
Graves consequências – De acordo com a Apeam, a interrupção do uso da medicação faz com que a retomada corresponda a um recomeço de tratamento. Cada reinício faz com que os pacientes sejam novamente levados à UTI, pelo período de seis horas, para observação dos possíveis efeitos colaterais do medicamento, além de resultar no agravamento dos sintomas e tornar o quadro irreversível.
A entidade ressaltou ainda que o último episódio de falta de medicamentos no Amazonas ocorreu há aproximadamente cinco anos, quando um dos pacientes morreu por falência múltipla de órgãos, em decorrência da interrupção do tratamento. Outros pacientes, embora não tenham falecido, passaram a manifestar sintomas da doença ou ficaram com sequelas até hoje não revertidas.
Sobre a esclerose múltipla - A esclerose múltipla é uma doença crônica, sem cura, que afeta o cérebro, nervos ópticos e o sistema nervoso central. O sistema imunológico confunde as células saudáveis com malignas e as ataca, causando lesões.

