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MPF denuncia médicos por estudo realizado com vítimas da Covid-19 durante pandemia no Amazonas

MPF denuncia médicos por estudo realizado com vítimas da Covid-19 durante pandemia no Amazonas
Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Manaus/AM - O Ministério Público Federal no Amazonas denunciou dois médicos e a União por supostos crimes cometidos durante um estudo realizado no auge da pandemia de COVID-19, em 2021. A pesquisa, que envolveu o uso da substância proxalutamida em pacientes internados, teria resultado em cerca de 200 mortes — aproximadamente 30% dos participantes. O órgão pede indenização de R$ 85 milhões, alegando graves violações éticas e científicas.

Segundo a denúncia, o estudo teria desrespeitado protocolos aprovados pela Comissão Nacional de Ética em Pesquisa, incluindo alterações no número de participantes e omissão de riscos no termo de consentimento. Também foram apontadas irregularidades como a inclusão de pacientes em estado grave, mesmo sem estrutura hospitalar adequada, além da suposta ocultação de óbitos durante a condução da pesquisa.

O principal responsável pelo estudo, Flávio Cadegiani, chegou a divulgar resultados que indicariam redução significativa na mortalidade com o uso da droga, o que repercutiu amplamente nas redes sociais e entre autoridades. No entanto, o MPF sustenta que os dados apresentados eram inconsistentes e que o experimento funcionou, na prática, como um “laboratório humano” sem os devidos controles.

Entre os pontos mais graves apontados está o uso experimental de substâncias sem comprovação científica, como a nebulização de hidroxicloroquina, considerada de alto risco por entidades médicas. A denúncia também relata que sobreviventes do estudo apresentaram possíveis sequelas físicas e psicológicas, decorrentes dos procedimentos adotados fora dos padrões autorizados.

Procurados, os envolvidos não se manifestaram até o momento. Em declarações anteriores, o pesquisador defendeu a condução do estudo e afirmou que os índices de mortalidade estavam dentro do esperado para o contexto da pandemia no Amazonas. O caso segue em tramitação e deve ser analisado pela Justiça Federal.

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