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MPAM instaura inquérito contra vereadora de Borba que afirmou que "tem mulher que merece apanhar"

MPAM instaura inquérito contra vereadora de Borba que afirmou que "tem mulher que merece apanhar"
MPAM instaura inquérito contra vereadora de Borba que afirmou que "tem mulher que merece apanhar"

Manaus/AM - O Ministério Público do Amazonas (MPAM) instaurou, nesta quarta-feira, 1º de outubro, um inquérito civil para investigar a conduta da vereadora Elizabeth Maciel de Souza (Republicanos), do município de Borba. A medida foi tomada após a parlamentar declarar, durante sessão na Câmara Municipal, ser "a favor da violência contra a mulher".

As falas, feitas na última segunda-feira (29), geraram forte repercussão local e nacional. O MPAM avalia a possibilidade de responsabilização civil da vereadora, inclusive por dano moral coletivo.

Segundo o promotor de Justiça Alison Almeida Santos Buchacher, responsável pelo caso, a declaração não pode ser amparada pela liberdade de expressão ou pela imunidade parlamentar. O promotor afirmou que a conduta pode ser caracterizada como discurso de ódio e, em tese, configurar crime previsto no Código Penal.

"Existe todo um arcabouço normativo que proíbe a conduta, podendo até mesmo configurar crime. Portanto, o Ministério Público adotará as providências necessárias para apurar os fatos e promover eventual responsabilização nas esferas cível e penal", ressaltou o promotor.

O inquérito exige que a vereadora seja notificada para prestar esclarecimentos em um prazo de 10 dias. O MPAM também requisitou a gravação do discurso, a anexação de matérias jornalísticas e publicações em redes sociais ao processo.

Em uma frente criminal, a Delegacia de Polícia de Borba foi solicitada a instaurar procedimento para investigar a possibilidade de crimes como apologia ao crime e, se confirmada, violência política.

Em paralelo, o MPAM expediu uma recomendação à Câmara Municipal de Borba para que adote medidas imediatas para impedir a propagação de discursos de ódio em plenário, respeitando, no entanto, os limites da imunidade parlamentar.

A recomendação orienta a presidência da Casa e todos os vereadores a se absterem de proferir declarações discriminatórias ou que incentivem violência, sob pena de responsabilização judicial.

O promotor destacou a gravidade do ocorrido, já que o discurso "reproduz e reforça uma realidade machista, sexista e misógina" e foi proferido em sessão solene por uma representante do povo. A Câmara tem 30 dias para informar ao MPAM sobre as providências adotadas.

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