Manaus/AM - O professor e ex-diretor da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Menabarreto Segadilha França, morreu neste domingo (25). Menabarreto implantou o internato rural do curso em 1987, ação que mais resultou em interiorização de médicos após a formatura e que continua nos dias atuais.
Em nota de pesar, a reitoria da lamentou o falecimento do professor, que ingressou na Ufam em 1976, como docente da Faculdade de Ciências da Saúde, da qual também foi diretor.
Sob muitas críticas na época, o internato rural foi implantado inicialmente em Mocambo e Caburi, comunidades de Parintins, quando começaram a ir ao interior os profissionais de medicina do Amazonas.
“Foi um professor de personalidade forte, atuava com independência de ideias e livre arbítrio. Defensor incondicional da atenção primária e da visão não hospitalocêntrica, também era o ponto de equilíbrio entre as diversas facções ideológicas dentro da Faculdade de Medicina e do Hospital Universitário”, afirmou o superintendente do Hospital Universitário Getúlio Vargas, Juscimar Carneiro.
O diretor destacou o legado grande de Menabarreto, “que sempre buscava a retidão nas ações da atuação docente e na assistência à saúde, seja na atenção primária ou hospitalar. A saúde pública está órfã de seu principal protagonista no Amazonas”, completou ele, que foi um dos primeiros alunos do internato rural.
Outro que destacou a importância de Manebarreto França foi o professor da Faculdade de Medicina da Ufam, Pedro Elias de Souza. “Para mim, que com ele convivi e de cuja amizade tenho absoluta convicção de que privava, dito aliás pelo próprio, Mena era acima de tudo, um visionário. Convicto de suas lutas. Cioso com seus ideais libertários e progressistas. Sua trajetória foi marcada pela defesa inarredável do ensino médico público e de qualidade; pela defesa da saúde pública acessível, igualitária, equânime e democrática. Para todos", assegurou.
“Menabarreto Segadilha França foi um professor-médico singular. Foi um homem preocupado com o homem que sofre. Foi um defensor polêmico de suas ideias, mas sempre as expondo para que fossem contestadas. Não se escondia dos debates”, afirmou ainda outro professor da Ufam, médico Edson Andrade.
A participação de Menabarreto dentro da Medicina Preventiva e Social e do Sistema Único de Saúde (SUS), área de sua atuação desde 1975, bem como na Educação Médica e nos trabalhos de extensão, também foram citados pelo professor Dirceu Benedito Ferreira, ex-diretor da Faculdade de Medicina. Dirceu lembrou que nos anos 1970, o professor também fez parte do grupo de médicos que fundaram o Hospital Tropical.
A causa da morte não foi informada pela família, que comunicou que não haverá velório e sepultamento, pois o corpo será cremado hoje, segunda-feira (26).

