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Moradores de Manaus mudam rotina após transferência de presos para cadeia Raimundo Vidal

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Moradores de Manaus mudam rotina após transferência de presos para cadeia Raimundo Vidal
Moradores de Manaus mudam rotina após transferência de presos para cadeia Raimundo Vidal
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Manaus/AM - A reativação na segunda-feira (2) da Cadeia Pública Raimundo Vidal Pessoa, no centro de Manaus, trouxe tensão e mudou a rotina de moradores do Largo do Mestre Chico, que fica no entorno do prédio centenário. Após a rebelião envolvendo facções rivais no Compaj (Complexo Penitenciário Anísio Jobim) que resultou no massacre de 56 presos, o governo do Amazonas transferiu 223 internos para a cadeia por medida de segurança.

A Vidal Pessoa foi desativada, em outubro do ano passado, após frequentes registros de fuga, rebelião, assassinatos de presos nas celas e constatação pelo CNJ (Conselho Nacional de Justiça) de que os detentos eram submetidos no local a condições sub-humanas.

Mas a opinião do morador destemido parece isolada. Ao longo das calçadas que ficam atrás da Vidal Pessoa, há bancas com venda de comidas e lanches que dão aos clientes vista aos muros da cadeia. Uma das vendedoras de lanche do Largo do Mestre Chico, de 22 anos, que há quatro mora no local e pediu para não ser identificada, afirmou que "muda tudo" com o retorno dos presos à cadeia pública. O que mais a preocupa é "pensar que apenas um muro separa os presos dos moradores".

"Vi na reportagem que eles estão nessa capelinha aí perto do muro. Se fosse ao menos lá para dentro... Mas só tem esse muro separando a gente. O pessoal brincava nessa quadra até umas 3h da madrugada depois que os presos saíram daí. Ontem [segunda-feira, dia da transferência], já foi diferente. Dez horas da noite, todo mundo mudou a rotina. Ninguém subiu mais. Quem disser que não, é mentira."

Dois meninos de dez anos, do lado de fora da quadra, observavam nesta terça-feira (3) a movimentação de policiais militares na área superior do muro do presídio, fazendo a vigilância da área. Contaram  à reportagem que não estavam satisfeitos em perder o local que servia para diversão: a quadra de futebol próxima ao muro do presídio. Não souberam indicar quem os proibiu de usar o espaço.

Questionados se estavam com medo, responderam que não. "Semana passada, um colega meu chutou minha bola, que ganhei no Natal, lá para dentro. Os presos devem estar brincando com ela agora", disse.

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