Manaus é a terceira cidade do país com maior número de mortes por diarréia e pneumonia em crianças de até 1 ano. O Brasil registra, nessa faixa etária, mais de 20 mil óbitos anuais por causas evitáveis, como diarreia e pneumonia, e vê aumentar o risco à saúde das crianças com a queda da cobertura vacinal.
Os dados são do Observatório de Saúde na Infância - Observa Infância, que reúne pesquisadores da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e do Centro Universitário Arthur de Sá Earp Neto (Unifase), com recursos do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) e da Fundação Bill e Melinda Gates e foram divulgados pela Agência Fiocruz de Notícias.
De acordo com o relatório, duas em cada três mortes de bebês de até 1 ano poderiam ser evitadas no Brasil com ações como vacinação, amamentação e acesso à atenção básica de saúde.
Por ordem, as cidades com maior registro de mortes por diarreia nessa faixa etária são Rio de Janeiro, Belém, Manaus, São Paulo, Fortaleza, Salvador, Duque de Caxias, São Luís, Campinápolis e Cuiabá.
Por pneumonia, as cidades com maior número absoluto de mortes de crianças de até 1 ano foram São Paulo, Rio de Janeiro, Manaus, Fortaleza, Belém, Duque de Caxias, Macapá, Salvador, Teresina e São Luís.
As informações foram obtidas partir do cruzamento de grandes bases de dados próprias e dos sistemas de informação nacionais.
“Nosso trabalho é perguntar a essas bases aquilo que a sociedade não pode ignorar: o que mata as nossas crianças? O que podemos fazer para evitar essas mortes?”, destaca Patricia Boccolini, pesquisadora do Observa Infância vinculada ao Núcleo de Informação, Políticas Públicas e Inclusão (Nippis), uma cooperação entre a Fiocruz e a Unifase.
Um olhar para cada um dos 5,5 mil municípios a partir de grandes bases de dados nacionais, mostrou muita desigualdade em relação à cobertura vacinal. “E essa desigualdade está relacionada, principalmente, com o acesso à atenção básica. Onde a atenção básica não chega, a queda da cobertura vacinal é mais acentuada”, observa a pesquisadora.
Outro dado impactante é que mais da metade dos bebês mortos por ano poderiam ter sido salvos por um pré-natal adequado e uma boa atenção das gestantes no pós-parto, complementa Cristiano Boccolini, pesquisador do Observa Infância que atua no Laboratório de Informação em Saúde do Instituto de Comunicação e Informação Científica e Tecnológica em Saúde (Icict/Fiocruz).
Ele destaca que o aleitamento materno tem relação direta com a prevenção de grande parte dos óbitos infantis e que é necessário fortalecer políticas públicas para promover a amamentação na primeira hora de vida e o aleitamento exclusivo nos seis primeiros meses.

