Manaus/AM - Cerca de 3,46 milhões de quilômetros de estradas, das quais pelo menos 86% não oficiais, foram “construídas por madeireiros, garimpeiros e assentamentos não autorizados a partir de estradas oficiais já existentes” na Amazônia. A extensa rede de estradas também faz com que 41% da Floresta Amazônica já sejam atravessados ou fiquem a 10 km de uma estrada.
Esses dados são de um estudo do Instituto Homem e Meio Ambiente da Amazônia (Imazon), que revelou ainda o fato de dois terços (em extensão) das estradas identificadas estarem situados em propriedades e assentamentos privados, enquanto o outro terço está em terras públicas nas quais as estradas não oficiais se multiplicaram, principalmente em áreas sem proteção especial do governo.
De acordo com o Imazon, nessas áreas públicas, as estradas percorrem 854 mil km, representando um quarto do total na Amazônia e, situadas nessas áreas, indicam atividades criminosas, como extração ilegal de madeira, garimpo e grilagem de terras.
Outro ponto revelado pelo estudo mostra que 5% dessas estradas estão dentro de Unidades de Conservação e 3%, em Terras Indígenas, percorrendo um total de 280 mil km dentro dessas áreas supostamente protegidas.
A origem da rede de ramificações ilegais é a BR-230, também conhecida como Rodovia Transamazônica, a BR-163, que liga Cuiabá a Santarém, e a BR-319, de Manaus a Porto Velho.
Carlos Souza Jr., pesquisador associado do Imazon que coordena o programa do instituto para monitoramento da Amazônia, afirmou que são “artérias de destruição” porque as estradas são abertas para extrair madeira, e as ramificações se espalham a partir da linha principal, onde estão os caminhões e as máquinas pesadas. A degradação é seguida pela ocupação dessas áreas, em um padrão que se tornou muito conhecido na Amazônia, completa ele.
Oficialmente, o Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT) reconhece 23.264 km de estradas pavimentadas e não pavimentadas na Amazônia Legal, mas estudos anteriores já estimavam a extensão de estradas oficiais na região em cerca de 80 mil km, incluindo federais, estaduais e municipais, bem como estradas localizadas em assentamentos oficiais.
Para o Imazon, o mapeamento e monitoramento da extensão das estradas é crucial para identificar ameaças à floresta, a seu povo e às comunidades tradicionais, isso porque estudos que já mostraram que 95% do desmatamento ocorrem a 5,5 km de uma estrada; e 85% dos incêndios a cada ano, a 5 km.



