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Livro “Canções para Milomaque” traz lenda da paxiúba em linguagem poética

Livro “Canções para Milomaque” traz lenda da paxiúba em linguagem poética
Livro “Canções para Milomaque” traz lenda da paxiúba em linguagem poética

A alma da poesia amazônica que vive nos seres habitantes das florestas, dos rios e matas, no modo de ser e viver na região, são alguns dos temas do escritor e poeta José Dantas Cyrino Jr., no mais novo livro, “Canções para Milomaqui”, a ser lançado no próximo dia 28, a partir das 19h, no Salão Nobre do Centro Cultural Palácio Rio Negro.

O livro é inspirado na Lenda dos Kamayurás, da flauta de paxiúba, instrumento sagrado de Milomaqui – o Jurupari kamayurá, que encantava a todos na aldeia quando cantava. Mas vai muito além.

As poesias falam da beleza esplendorosa da floresta, da força dos rios, da beleza da mulher cabocla e o modo de viver do homem amazônico foram traduzidos na poesia de Cyrino. “Tudo que está mesclado com foco na Amazônia, resultado das minhas vivências pelo interior”, explica ele.

Professor aposentado da Universidade Federal do Amazonas (Ufam) e da Universidade do Estado do Amazonas (UEA), Cyrino, quando estava trabalhando, teve a oportunidade de viajar muito para o interior do Amazonas, onde vivenciou inúmeras cenas que depois foram transformadas em poemas, a maioria inéditos.

“Nesse longo tempo vi, vivi e aprendi muitas coisas da vida cabocla, sua culinária, seus costumes, hábitos de vida e de relacionamentos, suas histórias fantasiosas e suas lendas, seus sotaques e expressões. Vi o caboclo lançar tarrafa, armar o espinhel, curricar, dar nó no punho da sua rede no barco, ralar a mandioca, fazer a farinha e outras coisas de seu cotidiano”, oberva.

Lenda da paxiuba

O título faz referência à inspiração que o levou a reunir os poemas a partir do estudo da lenda indígena Kamaiurá, que fala da origem da flauta de paxiúba.

A lenda conta que numa das tribos Kamaiurás, chamada Milomaque, vivia um jovem com dom impressionante de cantar e quando o fazia deixava todos da tribo em êxtase, como que encantados.

O fato levou o cacique não só a prendê-lo, mas também a ameaçá-lo de que se voltasse a cantar iria arrancar sua sombra. Ao ficar livre, o índio foi para a floresta e ao encontrar uma índia, cantou para ela fato que o levou a ser morto. No lugar onde foi enterrado nasceu a paxiúba.

“A lenda termina dizendo que os índios passaram a fazer flauta dessa madeira, cujo som só os homens eram capazes de ouvir”, explica Cyrino, afirmando seu encantamento com a força da estética das metáforas dos indígenas.

O impacto desse relato levou o autor a pensar nos poemas já escritos e nos que estavam por escrever. “Assim decidi reunir os já escritos e escrever novos poemas”, pontua.

Na apresentação, o professor Marcos Frederico Krüger, membro da Academia Amazonense de Letras (AAL), destaca que no livro, cujo ponto de partida tem como referência um mito indígena, “o leitor se deparará com duas vozes líricas, que se interpenetram e se misturam à medida que os poemas vão se sucedendo”.

Krüger escreve que o “eu lírico canta sobre aspectos diversos da região, maravilhado com o balé do lago de Tefé, com a música das corredeiras, com a região de São Gabriel. Não falta ufanismo nessa escolha, haja vista que, em “Paralelas”, opõe às belezas cariocas o amor à natureza amazônica; por isso, ao falar para o Cristo Redentor”, diz: “Tu tens a teus pés / a formosa lagoa [Rodrigo de Freitas]”, mas, em compensação, “Eu tenho aos meus lados / os mais belos lagos”.

Produção independente editado pela JV Publicações, uma editora baiana, o livro tem a capa do pintor indígena parintinense Rubens Belém, e as ilustrações de gravuras de Roberto Bessa.

Ao convidar o público manauara para o lançamento, Cyrino apresenta-se acentuando suas raízes amazônicas mais profundas e manifesta a grande alegria com este lançamento.                                                                                   

“Nasci da raiz da floresta,

aqui a minha vida se infesta

e aqui ela vai acabar,

eu não deixo a minha terra

porque na palavra caboca,

aquele que vem do paú,

ao paú voltará.”

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