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Justiça que não é para todos não é justiça

Por Raimundo Holanda

Ontem fez um ano que o empresário Leandro Guerreiro matou o policial Rayllen Caldas. Foi um crime banal, por causa de uma vaga em via pública, que a loja de Leandro,  a Word Micro, localizada no Boulevard  Álvaro Maia, transformou em estacionamento. Leandro se apresentou  à Polícia  48 horas depois do crime, se disse estressado e foi mandado para casa.

No Tribunal do Juri, faltou a três audiências. Quando decidiu prestar depoimento na  2ª Vara Criminal do Tribunal de Justiça do Amazonas, no início de novembro, o juiz Hugo Levy resolveu que nada do que dissera seria digitalizado e levado ao conhecimento público. O processo não corre em segredo de justiça.

Leandro é dono de  um fascínio que os demais supostos criminosos não têm. Faz parte da chamada "elite" amazonense.  É rico, influente. O juiz Hugo Levy aceitou um pedido, no início do ano, para que o empresário, mesmo respondendo a um processo criminal, se ausentasse do País. Leandro viajou dois meses depois do crime para os Estados Unidos. Agora entrou com novo pedido para viajar. Deve passar o Natal  sob as luzes de Nova Iorque ou no céu estrelado de Miami, vendo  o ano passar.

É essa impunidade que  precisa acabar. É esse tratamento diferenciado que a justiça confere a essa elite que precisa e deve ser denunciado. A sociedade como um tudo está cansada e quer um basta. A justiça ou   é para todos ou não é justiça.

O Amazonas não pode continuar sendo um paraíso da impunidade  para quem tem poder político e econômico. E tem sido. É hora de um basta.

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