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Justiça determina contratação de pediatras em hospital do Amazonas após morte de 49 crianças

Justiça determina contratação de pediatras em hospital do Amazonas após morte de 49 crianças
Justiça determina contratação de pediatras em hospital do Amazonas após morte de 49 crianças

Manaus/AM - A Justiça Federal decidiu que a União e o Estado do Amazonas devem disponibilizar, no mínimo, dois médicos pediatras e fornecer equipamentos novos de gasometria e ionograma ao Hospital de Guarnição de São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas. A sentença, que confirma liminares concedidas em 2022, é resultado de uma ação movida pelo Ministério Público Federal (MPF) e pela Defensoria Pública do Estado do Amazonas (DPE/AM). Além disso, os entes governamentais foram condenados a pagar R$ 500 mil por danos sociais.

A decisão destaca que os médicos pediatras contratados devem possuir capacitação em reanimação neonatal, visando oferecer atendimento contínuo às crianças que procuram a unidade de saúde, incluindo recém-nascidos. Também foi determinado que a escala de trabalho dos médicos pediatras seja disponibilizada em um local visível dentro do hospital.

A ação do MPF e da DPE/AM foi motivada pela constatação de problemas enfrentados pelo Hospital de São Gabriel da Cachoeira. Inspeções realizadas pelos órgãos revelaram deficiências na estrutura do prédio, falta de equipamentos e carência de médicos pediatras e neonatologistas em número suficiente. Na época em que a ação foi movida, constatou-se que todos os leitos de emergência estavam ocupados, principalmente por crianças indígenas com até um ano de idade. Além disso, verificou-se que o contrato do médico pediatra que atuava na unidade estava prestes a expirar.

O Hospital de São Gabriel da Cachoeira é o único da cidade e foi construído nos anos 90 para atender a população local, composta em sua maioria por indígenas. A unidade possui seis leitos de emergência e 14 leitos de neonatologia, funcionando em um modelo de gestão híbrida entre o Exército Brasileiro e o Estado do Amazonas, com médicos civis e militares.

A maioria das internações é de indígenas do povo Yanomami, com idade inferior a dois anos. Essas crianças são removidas de suas aldeias com doenças graves, como desnutrição e desidratação severa. O processo revela que, em um período de seis meses entre 2021 e 2022, ocorreram 49 óbitos de crianças que estavam internadas na unidade e outras 40 foram transferidas em UTIs aéreas para Manaus.

"A decisão judicial é extremamente importante para o atendimento médico na cidade, considerando a necessidade de médicos especializados e equipamentos para a assistência infantil, especialmente para a população indígena", avalia a procuradora da República Michèle Diz Y Gil Corbi, que está envolvida no caso.

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