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Justiça dá prazo para Prefeitura de Novo Airão interromper despejo de esgoto no Rio Negro

Justiça dá prazo para Prefeitura de Novo Airão interromper despejo de esgoto no Rio Negro
Justiça dá prazo para Prefeitura de Novo Airão interromper despejo de esgoto no Rio Negro

Manaus/AM - A Justiça Federal do Amazonas determinou, por solicitação do Ministério Público Federal (MPF), que o município de Novo Airão tome, dentro de 30 dias, medidas emergenciais para a manutenção e reparo da estação de tratamento de esgoto do Residencial Peixe-Boi, com o objetivo de cessar completamente o despejo de resíduos no Rio Negro.

Conforme alegado pelo MPF em uma ação civil movida em outubro do ano passado, a estação de tratamento de efluentes do conjunto habitacional está inoperante e sua estrutura física encontra-se deteriorada. Por quase uma década, todo o esgoto proveniente do residencial tem sido desviado para o igarapé Antônio Maria, que desemboca no Rio Negro.

“O lançamento do esgoto sem tratamento impacta diretamente o Rio Negro e atinge também o Parque Nacional de Anavilhanas, unidade de conservação federal, de proteção integral, que é gerido pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), e cujo limite territorial é justamente a margem do rio Negro que banha o município de Novo Airão”, ressaltou o procurador da República Rafael da Silva Rocha.

O Residencial Peixe-Boi foi construído por meio do Programa Minha Casa Minha Vida e possui 340 residências e mais de 2 mil moradores. Segundo informado ao MPF pela Caixa Econômica Federal, financiadora da obra, cabe ao município a manutenção dos sistemas, equipamentos e áreas comuns do empreendimento, conforme termo de recebimento assinado pela Prefeitura de Novo Airão, em abril de 2013.

Portanto, além do objetivo de cessar o atual despejo de esgoto no local, a decisão judicial determina que o município de Novo Airão implemente um calendário periódico de reparos e manutenção na estação de tratamento de esgoto do Residencial Peixe-Boi, a fim de prevenir e evitar o retorno da poluição.

Danos verificados – Em visita realizado no local em junho de 2023, técnicos do Instituto de Proteção Ambiental do Amazonas (IPAAM) constataram a poluição do igarapé afluente do Rio Negro, com a presença de lixo, mau cheiro e sistema de drenagem de águas pluviais parcialmente instalado, causando erosão nas proximidades do igarapé. Moradores do residencial informaram que a falta de tratamento de esgoto doméstico e de águas pluviais têm causado contaminação do local, afetando aqueles que usavam as águas para pescar e tomar banho.

Além dos pedidos de urgência atendidos pela Justiça, o MPF pede que os três réus da ação, que são o Município de Novo Airão, a Caixa e a União, sejam condenados a pagar indenização pelo dano moral coletivo causado, no valor mínimo de R$ 500 mil, e pelos danos materiais ao meio ambiente, cujo valor deverá ser apurado no curso do processo.

O MPF pede ainda que os valores arrecadados com a condenação sejam revertidos para o Núcleo de Gestão Novo Airão/PARNA Anavilhanas, do ICMBio, pelo princípio da máxima efetividade na proteção ambiental.

 

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