
Sexualidade. Esse tema dominou o primeiro dia de discussões sobre desigualdade de gênero, diversidade sexual, doenças sexualmente transmissíveis, direitos humanos e sexualidade no Auditório Gilberto Mendes de Azevedo, no SESI Amazonas. O fórum, que se estende até esta sexta-feira com a participação de especialistas convidados, é realizado pelos alunos do ViraVida, um projeto que busca recuperar cerca de 100 jovens de Manaus, entre 16 e 21 anos de idade, vítimas de exploração sexual.
A coordenadora estratégica do projeto no Amazonas, Simônica Sidrim, disse que o evento é uma prévia de um seminário estadual previsto para o ano que vem. “É um momento de aprender e ensinar, pois essa é a dinâmica desse projeto. Tenho certeza que será um excelente evento, um momento de vivenciar a temática por meio das oficinas protagonizadas pelos alunos”, disse.

O evento teve início com a palestra da historiadora e representante do Fórum Permanente das Mulheres de Manaus, Francy Junior. Na ocasião, ela lembrou os dados da Delegacia Especializada em Proteção à Criança e ao Adolescente, no período de janeiro a junho de 2013, em Manaus, onde 524 crianças aparecem como vítimas de estupro, 332 vítimas de maus tratos, 84 lesionadas e 78 abandonadas, sendo o maior agressor o padrasto. “82% dos casos de estupro aconteceram com meninas. Quem sofre uma violência física não traz apenas machucados no corpo. As piores marcas são as feridas na alma”, disse.
A historiadora discutiu com os jovens a desigualdade de gênero, contextualizando como começou essa distorção e incentivando a reflexão sobre o papel da mulher na sociedade.

A psicóloga e investigadora da 4ª Delegacia Seccional do São Jorge, Nilce Ramos, trouxe aos jovens a palestra “Direitos Humanos e Diversidade Sexual”. A psicóloga revelou dados do Censo que apontam que 60 mil casais homossexuais vivem sob o mesmo teto, realidade que não pode ser ignorada, segundo ela.
“Hoje em dia temos diversas formas de família e todas devem saber de seus direitos. Não por causa de sua orientação sexual, mas por se tratar de seres humanos. Esses direitos devem ser disseminados não apenas para os casais, mas também aos homossexuais solteiros”, disse Nilce Ramos.
Os alunos do ViraVida, um projeto desenvolvido em todo o país pelo Conselho Nacional do SESI, também assistiram palestras sobre Diversidade Sexual e Suas Possibilidades de Expressão e Prevenção às DST’S/AIDS e Sexualidade.
Nesta sexta-feira, o fórum acontece na Unidade SESI de Educação do bairro São Jorge, localizada na Rua Brasília, onde a temática sexualidade será discutida por meio de seis oficinas tendo como facilitadores os próprios alunos.
Aline Ferreira disse que o Fórum esclareceu todas as suas dúvidas em relação ao assunto. “Obtive informações sobre a camisinha feminina. Mesmo para quem já sabe muito sobre sexualidade, sempre se aprende e relembra algo importante. Foi um momento muito bom de aprendizado”, disse.
Jovens e o Protagonismo Infantil
Nos dois dias de evento, cerca de 100 jovens organizaram palestras, conduziram as atividades de cerimonial, dividindo-se nos papéis de mestre de cerimônia, fotógrafos, repórteres recepcionistas e apoio ao evento.
“Eu adorei a experiência. Me envolvi em quase todas as atividades. O legal é que você vivencia profissões e percebe suas próprias habilidades para algumas delas. Eu já me identificava com a área de comunicação, especificamente na área da publicidade, agora encontrei o jornalismo e me dei muito bem, segundo a minha instrutora”, disse Amanda Pires.
Mais sobre o ViraVida
O projeto foi criado em 2008 pelo Conselho Nacional do SESI e atende jovens com idade entre 16 a 21 anos, em situação de exploração sexual. Atualmente, o projeto é desenvolvido em 19 Estados, abrangendo 23 cidades.
No Amazonas o projeto funciona com duas turmas, totalizando 103 jovens e adolescentes.







