O projeto denominado AmazonFACE, projetado para ser maior laboratório ao ar livre do mundo com o objetivo de ajudar a entender como a Floresta Amazônica poderá responder às mudanças climáticas previstas para os próximos anos, vai receber 2,5 milhões de libras (cerca de R$ 19 milhões), do governo britânico para a segunda fase.
Esse foi um dos resultados positivos para a região amazônica da Conferência Mundial do Clima (COP26). 8).
A pesquisa inédita em florestas tropicais tem o apoio do Ministério da Ciência, Tecnologia e Inovações (MCTI) e a colaboração do Met Office, serviço nacional de meteorologia do Reino Unido, e o Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa/MCTI) – em parceria com a Universidade Estadual de Campinas (Unicamp).
O secretário de Pesquisa e Formação Científica do MCTI, Marcelo Morales, participou do evento e destacou que o Brasil “tem uma relação muito longa e especial de colaboração com o Reino Unido”.
Morales destacou que recentemente o MCTI aprovou verba no âmbito do FNDCT para a instalação de um laboratório do projeto Salas (Sistema Amazônico de Laboratórios Satélite) na área do AmazonFACE.
O projeto prevê a construção de 50 laboratórios na região Amazônica, sendo que três já foram entregues, com o objetivo de melhorar o suporte à pesquisa na região, em especial para conhecer o potencial biotecnológico e induzir o desenvolvimento de cadeias produtivas baseadas em biodiversidade.
Outro ponto citado pelo secretário foi o projeto Torre ATTO, cujos resultados permitem reduzir as incertezas dos modelos climáticos globais, como um importante projeto científico tecnológico. “Estamos entusiasmados com a colaboração e vamos trabalhar neste projeto como prioridade”, finalizou.
O diretor-Geral das Américas do Ministério das Relações Exteriores e de Desenvolvimento do Governo Britânico e ex-embaixador do Reino Unido no Brasil, Vijay Rangarajan, afirmou que o AmazonFACE é um projeto empolgante e um grande exemplo da relação científica entre Brasil e Reino Unido.
O importante papel desempenhado pelas florestas no ciclo global de carbono e no equilíbrio energético do planeta, com o desmatamento sendo responsável por cerca de 10% das emissões globais de CO2 foi destacado no evento, que reúne mais de 100 líderes discutindo formas de como acabar com o desmatamento até 2030.
“A Amazônia está fornecendo um serviço ecossistêmico-chave para a humanidade, mas nós não sabemos quanto tempo isso vai durar”, disse David Lapola pesquisador da Universidade de Campinas (Unicamp) e coordenador científico do AmazonFACE.
“Nós vamos construir um laboratório a céu-aberto para imitar as condições atmosféricas do futuro e estudar o que as árvores farão diante dessas condições”, completou o pesquisador do Inpa e coordenador do AmazonFACE, Carlos Alberto Quesada
O reflorestamento e o recrescimento têm o potencial de remover o carbono da atmosfera compensando as emissões não-evitadas. No entanto, uma das grandes incógnitas científicas é como o papel das florestas poderia mudar em resposta às mudanças climáticas.
O AmazonFACE funcionará como uma máquina do tempo, criando artificialmente as condições atmosféricas projetadas para 2050, para que os pesquisadores possam analisar como as florestas tropicais responderam ao aumento das concentrações atmosféricas de dióxido de carbono.



