Início Amazonas Indígenas mantêm com sucesso projeto de manejo do pirarucu em Tapauá no Amazonas
Amazonas

Indígenas mantêm com sucesso projeto de manejo do pirarucu em Tapauá no Amazonas

Indígenas mantêm com sucesso projeto de manejo do pirarucu em Tapauá no Amazonas
Indígenas mantêm com sucesso projeto de manejo do pirarucu em Tapauá no Amazonas

Manaus/AM - Em mais de 83 mil hectares das três terras indígenas no município de Tapauá existem sete bases de vigilância em pontos estratégicos, nas quais os indígenas se revezam em escalas durante seis meses ao ano para impedir a pesca ilegal do chamado gigante da Amazônia, o pirarucu e garantir o manejo sustentável da espécie.

O projeto, iniciado há 14 nos, os fez sair de apenas 266 peixes nos lagos, entre adultos e juvenis para mais 11 mil atualmente e a realidade é bem diferente, com fartura e organização social consolidada. 

A última pesca realizada rendeu 650 peixes totalizando 33 toneladas de carne de pirarucu, fortalecendo a mais importante fonte de renda dos Paumari, nas terras indígenas Lago Manissuã, Lago Paricá e Cuniuá, na área de influência da BR-319.

Na época do início do projeto, os indígenas viviam uma situação de escassez de alimentos e invasões do seu território e resolveram elaborar um plano de manejo sustentável de pirarucu, informa o site Observatório 319. 

Um dos precursores do projeto, Francisco Braz da Silva de Oliveira, o Chico Paumari, explicou que diante da fome, eles foram atrás de parcerias para o manejo de pesca, mesmo achando que o retorno demoraria muito, o que levou alguns a abandonar as aldeias. 

Com a experiência de atividades econômicas baseadas no escambo, em que trocavam, por exemplo, açaí e pescado, além de arrendar suas terras para exploração, em troca de favores, equipamentos e outros alimentos, mas não dinheiro, os indígenas conseguiram, por meio do manejo do pirarucu, garantir a primeira atividade remunerada com dinheiro desenvolvida por eles mesmos. 

Um dos maiores desafios foi unir sete aldeias das três terras indígenas em torno do propósito de elaborar o plano de manejo de pesca. 

Em 2019, o grupo criou a marca coletiva “Gosto da Amazônia”, com o objetivo de expandir a venda do pirarucu de manejo fora da Amazônia, com a abertura e consolidação de mercados no Rio de Janeiro, em São Paulo e em Brasília. 

O pescado  é comercializado a R$ 8 o quilo, que, após descontados os custos de insumos e serviços, rende às famílias R$ 6 reais pelo quilo, em parceria com a Associação dos Produtores Rurais de Carauari (Asproc), uma das maiores organizações de base comunitária da Amazônia brasileira. 

Um dos destaques do projeto é o protagonismo das mulheres Palmari, que estão envolvidas no manejo quanto os homens, tanto na vigilância, contagem, reuniões, pesca e na cozinha. 

Para os indígenas, o pirarucu, dos maiores peixes de água doce do planeta, chegando a pesar, quando adulto, de 100 a 200 quilos e medir de dois a três metros, é o símbolo da capacidade de renovação e recuperação do ambiente 

O pirarucu é um dos peixes mais famosos da Amazônia, seja pela sua versatilidade gastronômica ou pela imponência física, sendo uma das maiores espécies de água doce do mundo. 

A espécie está em risco de extinção, devido à pesca descontrolada, mas desde 2004, sua pesca está proibida fora de área de manejo e segue normas determinadas pelo Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). Entretanto, a pesca ilegal ainda é muito comum, mesmo caracterizando crime ambiental previsto por lei.

Siga-nos no

Google News
Quer receber todo final de noite um resumo das notícias do dia?