Manaus/AM - A Coordenação das Organizações Indígenas da Bacia do Rio Amazonas (Coica) emitiu um comunicado na Conferência das Nações Unidas sobre Mudança do Clima de (Cop26), que ocorre em Glasgow, na Escócia, exigindo o fim dos intermediários entre os financiadores de projetos para proteção da floresta e as comunidades tradicionais.
Os dirigentes da organização, que representa os povos indígenas e comunidades locais em 24 países com florestas tropicais, agradecem a promessa feita nesta Cúpula de Líderes Mundiais de alocar US$ 19,2 bilhões para apoiar o reconhecimento dos direitos à terra para povos indígenas e comunidades locais.
Mas lamentam não estar entre os destinatários dos recursos, que serão distribuídos por meio de mecanismos tradicionais de financiamento climático, como grandes limitações para atingir os territórios e apoiar as iniciativas das comunidades.
“Embora milhões de dólares já tenham sido investidos para proteger as florestas e deter o desmatamento, os resultados são mínimos, pois os governos não estão presentes em nossos territórios e, consequentemente, têm dificuldade de administrar os recursos e implementar políticas de longo prazo que protejam os recursos naturais”, afirma a entidade em nota.
Para os indígenas, ao assumir o compromisso de acabar com os intermediários, os principais financiadores públicos e privados vão reconhecer o papel crítico que desempenhamos na luta contra a mudança climática e destacam a prioridade urgente que deve ser garantir a posse de nossas terras.
Os indígenas criticam ainda a burocracia que beneficia um grande número de intermediários, que são os primeiros destinatários dos fundos climáticos e cujos altos custos reduzem a porcentagem efetivamente investida nos territórios. “Nossas suspeitas são confirmadas pelo fato de praticamente nenhum desses anúncios ter sido previamente consultado por nós ou por nossas organizações membros”, pontuam.
Para a entidade, é importante os financiadores e doadores públicos e privados buscarem a contribuição direta dos indígenas, que têm uma série de recomendações para facilitar este processo. “Essas recomendações constituem uma nova visão, a Visão Shandia: um ecossistema de financiamento que finalmente permitirá que o apoio financeiro chegue aos nossos territórios”, explicam.



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