Indicadores da educação divulgados pelo IBGE mostram a fragilidade da educação no Amazonas, afirma professor da Ufam

Por Portal do Holanda

05/12/2021 10h55 — em Amazonas

Foto: Divulgação

Pelos dados do IBGE, uma em cada 10 escolas do Estado teve aulas mediadas pela Internet durante a pandemia

Os dados da educação do Amazonas apresentados pelos Indicadores Sociais do IBGE de 2021, durante a pandemia de Covid-19, mostrando que, somente uma em cada dez escolas públicas da educação básica do estado teve aulas ao vivo mediadas pela Internet, revelaram a grave situação de desigualdade regional das condições de vida e fragilidade das condições da educação escolar em nosso estado.

A afirmativa é do professor doutor da Faculdade de Educação (Faced) da Universidade Federal do Amazonas (Ufam), Luiz Carlos Cerquinho de Brito, para quem a pesquisa mostrou, especialmente, as sérias limitações de infraestrutura de internet, limitações das escolas e da formação dos professores para uso das tecnologias digitais no processo ode aprendizagem.

Para ele, é preciso haver um pacto nacional, envolvendo todas as instituições, para buscar reverter esse cenário trágico.

Os demais dados impactantes dos indicadores, segundo ele, são inúmeros, como o de que menos de 30,3% dos alunos de 15 a 17 anos da rede pública do Amazonas possuíam equipamentos ou acesso à Internet. No País, esse índice foi um pouco maior, de 50%, mas também preocupante.

A pandemia, segundo Cerquinho, agravou as desigualdades e mostrou a necessidade de investimento financeiro e em programas de monta nas condições do trabalho escolar, na formação dos professores, e também nas próprias condições dos estudantes para terem acesso a computador e a internet. 
Esse acesso corresponde, de acordo com ele, ao direito de cidadania e inclusão de todas as crianças, adolescentes e jovens. 

“Sem investimento tecnológico, pedagógico, e nas próprias condições de vida da população, nossa educação escolar continuará com defasagens históricas, especialmente pelos graves problemas de interrupção dos estudos e de garantia do direito da aprendizagem de crianças, adolescentes e jovens, desde a Educação Infantil até o Ensino Médio”, afirmou.

INCALCULÁVEL

Para o professor, os danos ao aprendizado são muitos pelas consequências que virão. “Representam impacto incalculável na ruptura dos direitos de aprendizagem de crianças e adolescentes, apresentando uma nova distorção relativa a defasagem de conteúdos, habilidades e as competência indicadas na orientação curricular, afirma ele, destacando que os prejuízos dizem respeito principalmente ao tempo de interrupção e a falta de investimentos efetivos para qualificar os estudos e a aprendizagem.

E isso especialmente das crianças e adolescentes das famílias mais pobres, sem condições materiais, tecnológicas, sem materiais didáticos em casa. 

“Evidenciamos principalmente os problemas graves na leitura, escrita, intepretação de texto, e na resolução de problemas matemáticos”, explica ele, para completar dizendo que se não forem enfrentados de modo sistemático e visando a qualidade, os prejuízos de aprendizagem e do desenvolvimento das habilidades das crianças e adolescentes serão claramente postos na sequência dos anos escolares e acumuladas até o ensino médio e também na Universidade.

Para buscar reverter esse quadro, em primeiro lugar, Cerquinho sugere que as redes de ensino e os professores realizem diagnostico qualitativo da aprendizagem, para identificar as limitações, as rupturas em situações especificas como na leitura, na escrita, na resolução de problemas matemáticos, na apropriação e uso de conteúdos de ciências, de artes, história, geografia.

No entendimento do professor, os sistemas de ensino precisam elaborar programas e projetos alternativos para todos os níveis de ensino, com mais flexibilização de tempos, de espaços, com novos materiais, com mediações tecnológicas, incluindo os recursos do celular. 

“É preciso avançar na orientação mais detalhada dos estudos, na aprendizagem ativa dos estudantes e também, criar novas formas de relações e pactos com as famílias, aprendendo com as experiências da pandemia que exigiu das famílias uma parceria que na maioria dos casos esta família não estava em condições de responder”, assegura ele.  

Cerquinho afirma, que se os sistemas de ensino não diagnosticarem os problemas de aprendizagem evidenciados na pandemia e se não criarem novos programas para buscar resolvê-los, os problemas serão mais graves na sequência da própria escolarização, e os mais prejudicados serão as próprias crianças, adolescentes e jovens, que voltarão a uma situação que nada tem de regular e norma.

Para buscar reverter esse quadro, o professor da Ufam sugere um pacto nacional envolvendo tanto as instituições governamentais na área da educação como ministério, secretarias de Educação, universidades, quanto políticos para a dotação de recursos financeiros e criação projetos estratégicos para o enfrentamento dos problemas que já tinham sido identificados antes da pandemia da covid-19 e que foram evidenciados e agravados por ela.

“É preciso investir efetivamente na inclusão, na equidade e na busca de garantir os direitos de aprendizagem e desenvolvimento cidadão das crianças adolescentes e jovens de nosso pais”, finaliza Cerquinho.


O Portal do Holanda foi fundado em 14 de novembro de 2005. Primeiramente com uma coluna, que levou o nome de seu fundador, o jornalista Raimundo de Holanda. Depois passou para Blog do Holanda e por último Portal do Holanda. Foi um dos primeiros sítios de internet no Estado do Amazonas. É auditado pelo IVC e ComScore.

+ Amazonas