Apresentado inicialmente durante a COP 30, em Belém, o Plano de Bioeconomia Estadual entra em uma nova fase operacional com a formação de um Grupo de Trabalho composto por mais de 35 instituições, coletivos e pesquisadores. A iniciativa busca combater os desequilíbrios sociais, ambientais e econômicos da região, estruturando diretrizes que conectam a sociobiodiversidade do interior ao ecossistema industrial de Manaus.

Representantes da Universidade Federal do Amazonas (UFAM) no colegiado, os economistas Michele Aracaty e Lucas Rezende destacam que o principal desafio atual é transformar diretrizes globais em instrumentos financeiros viáveis, capazes de manter a floresta em pé e gerar renda direta para as comunidades tradicionais.

Financiamento e Oportunidades Práticas
Para a pós-doutora em Desenvolvimento Regional Michele Aracaty, o foco do trabalho técnico reside na criação de linhas de crédito adaptadas para pequenos produtores e no estímulo a incentivos fiscais para indústrias locais que substituam insumos fósseis por materiais de origem florestal.
Já o economista Lucas Rezende reforça a necessidade de priorizar cadeias produtivas de alto impacto para reverter o contraste histórico do estado: um dos maiores PIBs do país que convive com graves vulnerabilidades sociais nos 61 municípios do interior.
Governança e Recursos: Distribuição transparente de verbas entre setor público, privado e povos tradicionais.
Ecossistemas de Negócios: Conexão entre produtos da floresta e o mercado global de alta tecnologia.
Descarbonização: Eficiência no uso de recursos naturais e fomento à economia do bem-estar.
O Potencial da Bioeconomia
Alternativa ao modelo tradicional de exploração, a bioeconomia aposta na inovação tecnológica aliada a recursos renováveis. Dados da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE) apontam que o setor movimenta cerca de 2 trilhões de euros globalmente. No cenário nacional, estimativas da Confederação Nacional da Indústria (CNI) indicam que atividades ligadas ao setor já representam aproximadamente R$ 2,7 trilhões, equivalente a 25,3% do PIB brasileiro.




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