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Extração sustentável de óleos essenciais é alvo de estudos na Reserva de Mamirauá

Extração sustentável de óleos essenciais é alvo de estudos na Reserva de Mamirauá
Extração sustentável de óleos essenciais é alvo de estudos na Reserva de Mamirauá

Manaus/AM - O  potencial de exploração sustentável do louro inamuí (Ocotea cymbarum), espécie de árvore da região amazônica, para obtenção de óleos essenciais em várzeas no Médio Solimões, é alvo de um estudo promovido pelo Instituto de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (IDSM), com apoio da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam).

A pesquisa, intitulada “Investigar o potencial de exploração sustentável de Ocotea cymbarum para a produção de óleos essenciais nas várzeas da Amazônia Central”, está ocorrendo na Reserva de Desenvolvimento Sustentável Mamirauá (RDSM), nos setores Jarauá, Horizonte e Mamirauá, sob a coordenação da bióloga, doutora Darlene Gris, do IDSM.

O projeto de pesquisa faz parte do Programa de Apoio à Interiorização em Pesquisa e Inovação Tecnológica no Amazonas (Painter), Edital nº 003/2020.

Além da extração de óleo, o louro inamuí, que é tipo de árvore de bom porte, também é apreciado no mercado regional para produção de móveis e construção em geral dos ribeirinhos, desde que a extração da madeira seja de forma sustentável, segundo o IDSM.

Os resultados da pesquisa permitirão conhecer melhor os potenciais de uso do louro inamuí e as formas mais rentáveis e sustentáveis de obter esses óleos essenciais, explica a doutora Darlene Gris.

“Essas informações poderão auxiliar em futuros programas de manejo dessa e de outras espécies pelas comunidades ribeirinhas dessas localidades, trazendo uma nova fonte de renda baseada em produtos não madeireiros e mantendo a cultura dos ribeirinhos na obtenção de produtos naturais”, acrescentou

A especialista destacou ainda que a busca por esses óleos em diferentes partes das plantas (folhas, cascas e frutos) amplifica a chance de encontrar compostos de interesse, além de permitir buscar as fontes mais rentáveis e menos invasivas para a planta na obtenção das essências.

Durante o estudo serão monitorados óleos essenciais de interesse tradicional, econômico e farmacêutico “Sabe-se que óleos importantes ocorrem em espécies da família Lauraceae, a mesma do louro inamuí. Como exemplos conhecidos podemos citar o óleo de sassafrás, e o óleo de onde se extrai o linalol”, disse a coordenadora..

 

Utilização

Os óleos essenciais investigados na pesquisa, além dos usos populares passados de geração em geração, são utilizados pela indústria farmacêutica como matéria-prima para medicamentos, cosméticos e perfumaria.

Há estudos que já mostraram que dessa espécie pode ser extraído o óleo de sassafrás, que ganhou grande destaque por ser fonte de safrol, uma substância amplamente utilizada pela indústria farmacêutica, especialmente no tratamento de artrite reumatoide, doenças respiratórias, entre outros.

Outro exemplo na família Lauraceae é Aniba rosiodora, o pau-rosa, de onde se obtém o linalol, um composto muito usado na perfumaria, o que levou a espécie à categoria de ameaçada.

Para a pesquisadora, os impactos econômicos, a prospecção dos óleos essenciais produzidos pela espécie, a compreensão sobre a qualidade, variação e sobre as possibilidades de exploração desses óleos de louro inamuí nas várzeas da Amazônia Central, servirão como base para futuros estudos relacionados ao manejo não madeireiro da espécie, permitindo que as comunidades explorem esse recurso de forma eficiente e sustentável.

A pesquisa, de acordo com a coordenadora, permitirá também obter informações sobre a fenologia da espécie, os períodos de floração, frutificação e troca das folhas. “A implantação do inventário florístico permitirá conhecer e avaliar as comunidades florestais da região, comparando a estrutura e diversidade entre as diferentes áreas de várzeas da RDS Mamirauá, facilitando a bioprospecção de novas espécies/populações produtoras de óleos essenciais, o que permitirá entender o recurso disponível e a determinação de possíveis protocolos de manejo não madeireiro”, acrescentou.

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