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Exército investiga presença de homens armados em área indígena do AM

Por Folha de São Paulo

21/06/2024 14h15 — em
Amazonas


Foto: Arquivo/Agência Brasil

MANAUS, AM (FOLHAPRESS) - O Exército e a Força Aérea Brasileira reforçaram nesta semana efetivo e ações de varredura no rio Uaupés, no distrito indígena de Iauaretê, em São Gabriel da Cachoeira, no Amazonas, na fronteira com a Colômbia.

A operação ocorre após o sistema de vigilância do 1º Pelotão Especial de Fronteira detectar a presença de homens armados na região, de acordo com o CMA (Comando Militar da Amazônia). A suspeita, segundo o comandante da 2ª Brigada de Infantaria de Selva, Nilton Diniz Rodrigues, é que a movimentação seja de narcotraficantes.

Missão salesiana criada em 1915, a Iauaretê virou um povoado multiétnico, chamado também de Cidade dos Índios, onde vivem cerca de 3.000 indígenas dos povos tukano, tariana, baré, arapaso, hupda, tuyuka, desana e pira-tapuya, entre outros.

Moradores do distrito relataram à reportagem que receberam mensagens de militares do Exército recomendando que permanecessem em suas casas, "sem circulação desnecessária" pela comunidade, enquanto a operação estivesse em curso.

Um indígena afirma ainda que há orientação para não subir o rio Uaupés. Fotos encaminhadas pelos moradores mostram portas fechadas e a comunidade vazia.

A suspeita é de que esses homens sejam integrantes residuais de grupos armados. "São fragmentos das antigas Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia]", disse Rodrigues.

O general afirma que a comunidade recebeu alerta e que o objetivo é garantir a segurança de indígenas e ribeirinhos.

"Teve um alerta para a comunidade. Recebemos informações de pessoas estranhas transitando. Fizemos o alerta para os indígenas não irem para o roçado, ficarem dentro de casa", disse Rodrigues à Folha de S.Paulo. "Estamos monitorando. Fizemos um aumento do volume de tropas nos locais com mais de cem militares, varreduras nos rios e estamos vasculhando a área. Suspeitamos que seja um processo em consequência de altas apreensões de droga nos últimos dias na região."

O general disse que houve reforço da Polícia do Exército também em pistas de pouso para que não sejam usadas de forma clandestina.

Em outra mensagem compartilhada pelos indígenas, o padre da comunidade pede que evitem tirar fotos dos militares em ação. Os relatos demonstram que o clima é de medo, entre indígenas e não indígenas.

Nas últimas semanas explodiu a quantidade de apreensão de drogas na região do Alto e Médio Rio Negro, segundo informações do Exército e da SSP-AM (Secretaria de Estado de Segurança Pública do Amazonas).

Na comunidade onde os homens armados foram vistos, por exemplo, as forças armadas apreenderam, no dia 12 de junho, 310 kg de skank, um tipo de maconha.

De acordo com o general, o reforço do efetivo começou no último domingo (16), para guarnecer as comunidades locais e o pelotão de fronteira até a droga apreendida ser retirada.

No dia 14, a Base Arpão 2 da SSP-AM, em Barcelos, no Médio Rio Negro, apreendeu 1,5 tonelada de skank. Segundo informações da secretaria, foi a maior apreensão da base fluvial neste ano, em carga avaliada em R$ 37 milhões.

Na terça (18), uma mulher foi presa no aeroporto com 15 kg de skank numa mala. Na noite de quarta (19), mais 350 kg de skank (cerca de R$ 7 milhões) foram apreendidos no aeroporto de São Gabriel da Cachoeira, e cinco pessoas foram presas.

Segundo a SSP-AM, um dos presos é um soldado da ativa do Exército Brasileiro e há ainda outros dois ex-militares, além de duas mulheres.

Ainda segundo a pasta, há investigações em curso sobre um grupo que atua no aeroporto de São Gabriel e que costuma cooptar mulheres jovens para passar a droga.

"Todos esses conjuntos [de apreensões] são golpes financeiros duros. Mas são dados que estamos investigando. Temos confirmação de que estavam armados [na fronteira], mas não posso dizer o porte disso. Temos informes desconexos", afirmou o general.

Procurada, a Coordenação Regional da Funai (Fundação Nacional dos Povos Indígenas) em São Gabriel da Cachoeira não se manifestou até a publicação deste texto.


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