Manaus / AM - Logo após deixar o Governo do Estado, o atual presidente da Assembleia Legislativa do Estado do Amazonas (Aleam) e pré-candidato ao Governo do Amazonas, David Almeida, nomeou para exercer cargo de confiança de assessora de diretoria uma das pessoas denunciadas por envolvimento na operação 'Maus Caminhos', que desviou recursos da saúde. Trata-se de Keytiane Evangelista de Almeida, que ocupava o cargo de secretária adjunta executiva do Fundo Estadual de Saúde (FES), na Secretaria de Estado de Saúde (Susam), na gestão do ex-governador José Melo, aliado de David Almeida.
A nomeação de Keytiane foi publicada no Diário Oficial do Legislativo, em outubro de 2017, logo após Almeida voltar a assumir a Presidência da Assembleia. Ela foi escolhida por David Almeida para ocupar o cargo de Assessor de Diretoria 3 CC-6, com remuneração de R$ 4.067,74. O site da Aleam não disponibiliza informações sobre folha de pagamento dos servidores, ocultando se Keytiane segue nomeada no gabinete de David Almeida.
O Ministério Público Federal (MPF) pediu a condenação de Keytiane pelo crime previsto na Lei nº 12.850, que prevê pena de três a oito anos de prisão a quem "promover, constituir, financiar ou integrar" organização criminosa. Conforme a apuração do MPF, durante o governo Melo, no qual Almeida era líder do governo na Ale, os gestores públicos denunciados eram diretamente beneficiados por um esquema de distribuição de propina e outras vantagens, criado para manter e colaborar com os desvios de verba pública coordenados pelo médico Mouhamad Moustafa, principal réu da operação Maus Caminhos e apontado como líder da organização criminosa.
De acordo com a ação, Keytiane Evangelista tinha a função de dar celeridade aos processos de pagamento ao Instituto Novos Caminhos (INC) e às empresas de Mouhamad no âmbito da Susam, enquanto ocupava cargo de secretária executiva adjunta do FES, na Susam, no período de setembro de 2015 a janeiro de 2017. As investigações apontam que ela tenha recebido pelo menos R$ 178 mil por sua atuação no esquema de corrupção, além de viagens e pagamento de diárias em hotéis.

