Manaus/AM - O mês de janeiro ganhou a cor roxa para alertar e conscientizar a sociedade sobre o combate à hanseníase. O diagnóstico precoce e o tratamento imediato dessa doença interrompem o ciclo de transmissão e evita as incapacidades físicas causadas pelo bacilo Mycobacterium leprae.
Aprovado pelo Programa Ciência, Tecnologia e Inovação (CT&I) Áreas Prioritárias, da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado do Amazonas (Fapeam), destaca-se o projeto “Investigação molecular no apoio ao diagnóstico diferencial da hanseníase com outras dermatoses de interesse clínico”, coordenado pelo farmacêutico-bioquímico do Laboratório de Biologia Molecular da Fundação Hospitalar Alfredo da Matta (Fuham), André Luiz Leturiondo.
De acordo com André Leturiondo, o objetivo principal do estudo é verificar a utilidade dos testes moleculares no auxílio ao diagnóstico dermatológico de difícil resolução clínica, inclusive com a hanseníase.
O estudo foi realizado na Fuham com pacientes que apresentaram lesões atípicas de difícil resolução clínica e com hipóteses prováveis de dois ou mais agentes etiológicos causadores de lesões dermatológicas. A coleta da biópsia foi realizada em usuários do Sistema Único de Saúde (SUS), com idade igual ou superior a 18 anos, de ambos os sexos, que concordaram em participar do estudo, assinando o Termo de Consentimento Livre e Esclarecido (TCLE).
O pesquisador ressalta que o projeto pretende entregar ao Centro de Referência em Dermatologia da Fuham uma ferramenta de auxílio ao diagnóstico clínico de grande sensibilidade, especificidade e rapidez, capaz de confirmar o diagnóstico da hanseníase ou identificar prováveis espécies causadoras dessas lesões atípicas. O banco de dados formado, com a identificação das espécies causadoras das dermatoses atípicas, irá subsidiar os gestores na implantação na rotina do teste molecular na Fundação.
Números
Durante os 18 meses do estudo, 160 pacientes tiveram o diagnóstico clínico concluído. As hipóteses diagnósticas envolveram requisições médicas solicitando a identificação de dois a cinco agentes etiológicos. No entanto, o teste molecular foi testado para a detecção dos cinco alvos. Em 78,8% (126 deles), o diagnóstico molecular conseguiu confirmar ou afastar a suspeita clínica. Desses 126 pacientes, 57,1% (72) foram qPCR (+) para um dos agentes etiológicos suspeitos, e em 42,9% (54) foram qPCR (-).
“O resultado molecular negativo ajudou a afastar as hipóteses diagnósticas, direcionando o desfecho clínico para outras dermatoses, como a psoríase ou outras alterações da pele”, disse o coordenador, acrescentando que a pesquisa continua em andamento até o final do estoque dos reagentes moleculares.
Na oportunidade, André destacou o apoio e o incentivo da Fapeam a pesquisas como essa. “Com o financiamento da Fapeam, o estudo demostrou a importância de implantar os testes moleculares na Fundação Hospitalar Alfredo da Matta. Essa ferramenta auxiliou o médico na tomada de decisão mais assertiva em aproximadamente 80% dos casos duvidosos”, concluiu o coordenador da pesquisa.

