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Especialista vê futuro incerto para o sauim-de-coleira

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Animal que raramente briga dentro do próprio grupo, mas é arredio em relação aos intrusos. Que sofre com a redução de seu habitat, cada vez mais menor pela expansão urbana e, provavelmente, até pela pressão da convivência com um “primo” distante, o sauim-de-mão-dourada, hipótese levantada pelos estudiosos do assunto. Todo esse cenário aponta para um futuro incerto para o saguinus bicolor, espécie ameaçada de extinção, tema da palestra ministrada pelo biólogo Marcelo Gordo, na última quarta, 30.

Palestrante convidado do Ciência às 7 e meia, parceria entre o Museu da Amazônia e o Teatro Direcional, Marcelo é doutor em zoologia pelo Museu Paraense Emílio Goeldi. Há mais de uma década ele estuda o comportamento desse animal, que ocorre apenas em Manaus e arredores.

“Muita gente confunde o sauim-de-coleira com o mico-leão-dourado, mas são de ordens diferentes”, explicou para uma plateia formada por profissionais da área, pesquisadores, estudantes do ensino médio e fundamental. “Uma pesquisa de alguns anos atrás mostrou que mais da metade da população de Manaus nem sequer o conhecia”, disse Marcelo.

Segundo o pesquisador, a expansão urbana desordenada acarreta na redução de espaços e falta de alimento, expõe o animal a riscos de atropelamento e ataques por animais domésticos. Junta-se à caça ilegal a provável pressão por habitat de outra espécie (o sauim-de-mão-dourada), o que gera incerteza em relação ao futuro do sauim-de-coleira. “Fizemos vários cenários em um programa de computador, denominado Vortex, mas como muitos parâmetros ainda não são conhecidos, o máximo que pudemos avançar foi na definição de vários cenários com várias hipóteses”.

Os pesquisadores sabem, por exemplo, que só a fêmea dominante procria, que o nascimento ocorre no inverno amazônico, quando a oferta de comida é mais abundante, devido à chuva, que a taxa de sobrevivência no primeiro ano é de 63%. “Mas não temos dados da taxa de sobrevivência a partir do segundo ano, por exemplo”, explicou Marcelo.

Independentemente de qualquer prognóstico, disse o cientista, os estudos apontam para várias ações no sentido de minimizar o problema. A proteção imediata dos locais de sobrevivência dos grupos, com a criação de unidades de conservação, por exemplo. Mais: recuperação da vegetação em áreas degradadas, principalmente com espécies frutíferas e oferta de suplementação alimentar aos animais, além do manejo dos grupos

As palestras do Ciência às 7 e Meia ocorrem sempre na última quarta-feira do mês, às 19h30, no Teatro Direcional, Manauara Shopping. Estão disponíveis, ainda, no canal do Musa no Youtube (www.youtube.com/museudaamazonia).

Foto: Vanessa Gama/Musa

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