Fiocruz Amazônia e Distrito Sanitário Indígena de Manaus reuniram parteiras tradicionais indígenas de Beruri, Autazes, Urucará, Itacoatiara e Manaus
Encerra-se hoje, a oficina “Troca de Saberes com Parteiras Tradicionais Indígenas” que reúne um grupo de 28 parteiras tradicionais indígenas dos municípios de Beruri, Autazes, Urucará, Itacoatiara e entorno de Manaus.
Promovido pela Fiocruz Amazônia e o Distrito Sanitário Especial de Saúde Indígena (Disei) Manaus, o evento tem o objetivo de promover um intercâmbio de experiências entre mulheres indígenas parteiras e profissionais de saúde que atuam na rede de atenção à mulher nesses municípios, bem como fortalecer essa prática milenar.
A oficina foi realizada na comunidade Três Unidos, território da etnia kambeba, pertencente ao polo-base Nossa Senhora da Saúde, área de abrangência do Disei Manaus.
Penúltima programação do projeto “Redes Vivas e Práticas Populares de Saúde: Conhecimento Tradicional das Parteiras e a Educação Permanente em Saúde para o Fortalecimento da Rede de Atenção à Saúde à Mulher no Estado do Amazonas”, o projeto é executado desde 2017 pelo Laboratório de Pesquisa em História e Ciências da Saúde na Amazônia (Lahpsa), do ILMD/ Fiocruz Amazônia, em parceria com o Departamento de Atenção Básica da Secretaria de Estado da Saúde (SES-AM), contando com financiamento do Ministério da Saúde.
A enfermeira do Disei Manaus e organizadora da oficina, Elionai de Figueiredo Soares, explica que em alguns casos, como o do povo kambeba, as parteiras são procuradas pelas mulheres primeiro que os profissionais da rede de atenção básica. “Já temos esse reconhecimento lá mas em muitos locais ainda existe resistência por parte dos profissionais de saúde”, afirma.
Em Beruri, antes de procurar o serviço para dar início ao pré-natal, as mulheres indígenas são acolhidas e recebem orientação das parteiras da comunidade. Só em seguida é que buscam a equipe multidisciplinar de saúde.
“A parteira é uma pessoa que já está na comunidade, conhece o histórico da paciente e muitas das vezes é da família, sendo, portanto, esse primeiro contato bem melhor que com o profissional de saúde, que é um desconhecido”, observou.
De acordo com a enfermeira, o objetivo da oficina é permitir que, a partir da troca de saberes, os profissionais entendam a importância das parteiras no contexto de atendimento à saúde da mulher. Durante os dois dias de oficina, enfermeiros e psicólogos que compõem as equipes multidisciplinares de atenção básica estarão participando de atividades em conjunto com as parteiras. No total, 64 parteiras tradicionais estão em atuação nos 19 municípios que integram o Disei Manaus.
NÚMERO DESCONHECIDO
De 2017 até agora, foram realizadas mais de 30 oficinas em todo o Estado, dentro do projeto financiado pelo Ministério da Saúde.
Dados da Secretaria de Estado da Saúde (SES/AM), existem no Amazonas 1.400 parteiras cadastradas pelo governo do Estado.
A gerente de Políticas Estratégicas da SES-AM, Sandra Cavalcanti, disse ainda tem muitas parteiras atuando em lugares distantes onde as equipes não podem estar. “Infelizmente, temos um número cada vez maior de parteiras idosas que não podem mais se deslocar e um dos nossos desafios é incentivar o repasse de conhecimentos entre as gerações de filhas, noras e netas para que a tradição se mantenha viva”, destacou.
Uma das participantes da oficina, Maria Francisca da Silva Queiroz, 43, da etnia apurinã, tem o sonho de poder trabalhar como parteira na sua comunidade. “Não sou parteira ainda, apenas acompanho o trabalho de outras mulheres da minha comunidade e pretendo ser uma parteira”, diz ela, que reside na comunidade São Francisco do Sá Viana, município de Beruri.



