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Encontro de presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil encerra com “Carta de Manaus”

Encontro de presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil encerra com “Carta de Manaus”
Encontro de presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil encerra com “Carta de Manaus”

Manaus/AM - O “VIII Encontro do Conselho dos Presidentes dos Tribunais de Justiça do Brasil – Consepre”, que teve o Tribunal de Justiça como anfitrião, terminou nesta sexta-feira (10), em Manaus, reunindo presidentes e representantes dos tribunais estaduais do País.

Neste último dia da programação foi apresentada a “Carta de Manaus”, documento que tradicionalmente reúne conclusões e deliberações tomadas durante o encontro, e aprovada por unanimidade pelos participantes do colegiado.

Sob coordenação do presidente do Tribunal de Justiça de Goiás e do Consepre, desembargador Carlos França, a mesa apresentou a minuta com os tópicos para apreciação sobre os encaminhamentos a serem dados.

Nos três dias da programação foram debatidos temas como “Juiz de Garantias: Caminhos Concretos para a Implementação”, “Centrais de Processamento e Unidades de Processamento Judicial”; “Busca Eletrônica em Registros Usando Linguagem Natural”; “Precatório”; “Poder Judiciário Disruptivo e Inteligência Artificial”; e “O Direito Digital e o Sistema de Justiça no Brasil”.

A partir dos temas abordados e propostos, foram aprovadas para compor a “Carta de Manaus” quatro deliberações:

Asseverar a necessidade de se garantir a autonomia administrativa e financeira dos Tribunais de Justiça Estaduais e do Distrito Federal, insculpida na Carta Constitucional de 1988, essencial para o funcionamento célere e eficiente do sistema judiciário brasileiro;

Destacar a necessidade de participação de representantes da Justiça Estadual no grupo de trabalho do Conselho Nacional de Justiça responsável por regulamentar a instalação do juiz das garantias. Reforça-se a necessidade de observância das peculiaridades dos Tribunais de Justiça, decorrente da diversidade econômica, social, orçamentária e de infraestrutura tecnológica;

Defender o constante diálogo entre a Justiça Estadual e o Conselho Nacional de Justiça para deliberações sobre temas que possam ter repercussão em seu funcionamento e orçamento;

E ressaltar a importância da adoção de boas práticas e inovações, como a inteligência artificial, para a modernização da gestão administrativa dos Tribunais de Justiça e dos serviços auxiliares à prestação jurisdicional.

Cooperação entre tribunais

Após a aprovação da carta, foi assinado o “Acordo de Cooperação Interinstitucional nº 001/2023” e criado o “Núcleo de Cooperação dos Tribunais da Região Norte entre Tribunais de Justiça da Região Norte” (Acre, Amapá, Amazonas, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins), para estabelecer procedimentos e instrumentos de cooperação judiciária entre os signatários e para otimizar a prestação jurisdicional por meio de esforços para aprimorar a prática de atos processuais judiciais e administrativos interestaduais.

Este núcleo criado funcionará como instância administrativa de natureza interinstitucional, para facilitar os atos de interesse dos tribunais que assinam o acordo, e será composto por pelo menos um magistrado de cada tribunal participante.

O presidente Adão Carvalho, do Tribunal de Justiça do Amapá, falou em nome dos representantes afirmando que os tribunais da região tem suas peculiaridades regionais, com distâncias imensas e dificuldades de internet, afirmando que se as instituições atuarem em cooperação será possível ajudar-se mutuamente e quem ganhará com isso serão os jurisdicionados.

Flávio Dino

A programação do último dia do "VIII Consepre" também foi marcada pela apresentação do tema "Poder Judiciário Disruptivo e Inteligência Artificial", em palestra proferida pelo presidente do Tribunal de Justiça de Rondônia (TJRO) e vice-presidente do Consepre, desembargador Marcos Alaor Diniz Grangeia, e pela participação do ministro da Justiça e Segurança Pública Flávio Dino, que abordou a temática "O Direito Digital e o Sistema de Justiça no Brasil".

Durante a palestra, Flávio Dino conclamou o Poder Judiciário e o Congresso Nacional a debaterem a temática da responsabilidade das plataformas digitais e o combate aos crimes digitais. O convite - que ele denominou como “esforço nacional prioritário”.

“Queremos convidá-los a um esforço nacional prioritário e entre tantos e tantos desafios que as senhoras e senhores conhecem tão bem está o Direito Digital. Estamos defendendo que o Congresso Nacional e o Poder Judiciário se debrucem sobre a análise da incidência dos artigos 19 e 21 do Marco Civil da Internet, revendo esse modelo e criando uma simetria entre os bônus e os ônus derivados dessa conduta. Precisamos debater o tema da responsabilidade das plataformas”, disse o ministro. 

Conforme Dino, o artigo 19 alude à chamada neutralidade da rede e a ideia de que, para evitar censura, e cuidar da liberdade de expressão, você não pode fazer certos controles de conteúdos que circulam na rede. “Já o artigo 21 constitui, na verdade, uma exceção dessa lógica, porque diz que, no caso de pornografia, por exemplo, aí sim é exigível das plataformas uma espécie de moderação ou filtragem de conteúdo, tanto que é mais raro nós encontramos esse tipo de imagem”, destacou.

Flávio Dino entende que, na via jurisprudencial, seria possível conseguir, à luz do Código Civil, do Código de Defesa do Consumidor, “fazer ajustes que são vitais não para o Governo, não para os políticos, mas vitais para a subsistência da sociedade que precisa de laços interpessoais acertados na confiança. Se isto desaba, não existe tecido social”. Para o ministro, um dos principais desafios jurídicos contemporâneos é esse, atinente às novas tecnologias que, segundo ele, serão elevadas à enésima potência com a Inteligência Artificial, que pode ser usada para o bem, ou para o mal. “Energia nuclear propicia direitos; mas energia nuclear, também, propicia bomba atômica, que mata”, comparou o ministro.

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