Manaus/AM - Nem o início do período chuvoso foi suficiente para reduzir os índices de desmatamento na Amazônia. Com a pior marca para o período em 15 anos, a derrubada da floresta bateu novos recordes em novembro, quando foram desmatados 590 km², 23% a mais do que no mesmo mês do ano passado.
Com esses números, o acumulado desde janeiro chegou a 10.286 km², o que equivale à devastação de 3 mil campos de futebol por dia. Essa é a pior marca para o período em 15 anos, informou o Instituto Imazon.
Os estados do Pará, Mato Grosso e Amazonas concentram 72% do desmatamento na região.
Quase metade da derrubada registrada no mês em toda a Amazônia ocorreu apenas no Pará: 276 km² (47%). O segundo colocado em desmatamento foi o Mato Grosso, com 82 km² de floresta destruídos (14%), e o Amazonas a terceira, com 66 km² (11%). Juntos, esses estados somaram 72% de toda a devastação na Amazônia Legal.
O desmatamento em novembro foi o pior desde 2008, quando o Imazon implantou seu Sistema de Alerta de Desmatamento (SAD), que monitora a floresta por imagens de satélite.
De acordo com avaliação do Imazon, o Brasil já é o quinto maior emissor do mundo de gases do efeito estufa, que são os responsáveis pelas mudanças climáticas.
A pesquisadora do instituto, Bianca Santos, explica que com os números de desmatamento cada vez mais altos, haverá mais um recorde negativo nas emissões.
“Em 2021, o país teve a maior alta na liberação desses gases em 19 anos, principalmente por causa do setor de mudança no uso da terra, conectado diretamente com a derrubada na Amazônia”, disse Bianca Santos.
A devastação ameaça cada vez mais o angelim-vermelho, considerada a maior árvore da América Latina e a quarta mais alta do mundo, especialmente na Floresta Estadual (Flota) do Paru, no norte do Pará, considerado um santuário com angelins de alturas superiores a 70 metros. Em novembro, essa unidade de conservação foi a terceira mais desmatada de toda a Amazônia, que vê o avanço do garimpo e da grilagem de terras.
O avanço do garimpo não ameaça somente um santuário de angelins, mas prejudica centenas de famílias que dependem do extrativismo da castanha-do-pará na Flota Paru.
Para o Imazon, que lançou uma campanha visando proteger os angelins, a Flota do Paru é um verdadeiro santuário das árvores gigantes na Amazônia que não pode ficar à mercê do desmatamento.
Mas uma consulta realizada neste mês no Sistema de Cadastro Ambiental Rural do Pará (Sicar Pará), mostrou mais de 30 Cadastros Ambientais Rurais (CARs) sobrepostos à área, o que indica que os desmatadores estão pressionando pela posse desses lotes.



