Manaus/Am - Os advogados do ex-prefeito Adail Pinheiro, Dr. Francisco Balieiro e Fabricio Parente concederam na tarde desta quinta-feira (26), uma entrevista coletiva com o objetivo de esclarecer as dúvidas que foram levantadas pela ouvidora nacional da Ssecretaria Especial de Direitos Humanos, Irani Bacci, referentes à extinção total do processo que o levou para a prisão.
De acordo com os advogados, o caso de Adail em específico preenche todos os requisitos do indulto presidencial que beneficia anualmente várias pessoas no Brasil inteiro que estejam respondendo com restrições de liberdade.
Para Francisco Balieiro, a ouvidora nacional estaria opinando sobre um processo no qual ela não tem conhecimento, e com isso levantando dúvidas e questionamentos que já não cabem no caso específico de Adail Pinheiro.
“A ouvidora está dando opinião referente a um processo que ela não conhece, afinal de contas ele corre em segredo de justiça e caso ela tenha tido acesso ao mesmo (o processo) cometeu um crime. Acredito que o intuito da ouvidora foi o de aparecer, já que ela realmente não tem domínio sobre o que está falando”, explicou Balieiro.
Ainda segundo os advogados do ex-político, o processo no qual Adail foi condenado é uma ‘aberração jurídica’, uma vez que não há vitimas no processo. O advogado Fabrício Parente, explicou que o caso se fundamentou em escutas telefônicas e que as ‘personagens' nunca foram localizadas. Ainda de acordo com Parente, apenas uma adolescente foi ouvida na época, no entanto, foi categórica ao afirmar que não havia praticado sexo com o ex-prefeito e que nunca ocorreu prostituição ou qualquer tipo de pagamento desta natureza.
“Não há qualquer menção a escutas telefônicas na decisão do processo, o que é mais grave, pois se realmente houvesse verdade com certeza essas informações estariam lá”, explicou Parente.
Os advogados explicaram também que os artigos nos quais Adail foi condenado não pesam nenhum tipo de violência. “Adail foi denunciado nos artigos 227 que compreende em oferecer alguém para outro com finalidade sexual, 229, que é induzir à prostituição e 229, que é manter uma casa de prostituição. Só aí vemos várias contradições. Como alguém pode ser denunciado por manter uma casa de prostituição sem endereço, sem funcionários”, disse Parente.
Sobre toda a repercussão o advogado foi enfático: "Eu fico preocupado com o alarde que foi feito. Será que é porque é Adail Pinheiro? O papel do advogado é lutar pela Justiça e nós conseguimos com base em um decreto presidencial. Quando se consegue isso, todos vão contra. Ele não é esse monstro. Infelizmente criaram esse mito e desqualificar isso será muito difícil"
O advogado finalizou dizendo que a justiça é passível de falhas. “A justiça não é uma máquina, ela é movida por força humana, e as pessoas erram ou são induzidas ao erro”, finalizou.
Questionado sobre uma possível perseguição política, Parente se ateve a dizer que no âmbito jurídico essa informação não constava no processo, no entanto, em sua opinião enquanto cidadão, o inicio do processo teria sido provocado por motivação política.

