O aumento dos gases de efeito estufa na atmosfera e as mudanças antropogênicas relacionadas ao desmatamento e queimadas estão entre as principais causas do aumento da temperatura no Planeta, afirma o meteorologista Leonardo Vergasta, doutorando em clima e ambiente pelo Instituto Nacional de Pesquisas da Amazônia (Inpa), ao comentar a informação do Serviço de Monitoração e Alterações Climáticas do Programa de Observação da Terra, Copérnicus, de que o ano de 2022 foi o quinto mais quente do mundo.
O Copérnicus reúne dados globais desde 1959 e tem suporte do Centro Europeu para as Previsões Meteorológicas a Médio Prazo, uma instituição não-governamental. De acordo com o relatório, a temperatura na superfície terrestre e nos oceanos ficou 0,87 °C acima da média do último século.
Em Manaus, os dias mais quentes do ano foram registrados em outubro de 2022, quando já no dia 1º a temperatura chegou a 34,4 ° passando a 35,8° no dia 2 e no dia 7 foi a 36,1° dia 8, de acordo com dados do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet).
No mundo, o mês de julho de 2022 foi o sexto mais quente já registrado em 143 anos de atividade dos Centros Nacionais de Informação Ambiental, da Administração Oceânica e Atmosférica Nacional (NOAA), marcando um novo recorde.
O meteorologista explica que a atmosfera do nosso planeta é constituída de gases que têm interação com radiação solar que chega a superfície e sem esses gases, o planeta teria uma temperatura de menos de 14 graus Celsius, ou seja, a preservação desses gases é essencial à vida.
“Desde à Revolução industrial, nos períodos de guerra e pós-guerra, vem se verificando um aumento da concentração de gases como o dióxido de carbono, que quando está em grande atividade, armazena mais calor e acaba aquecendo mais planeta e essa é a grande preocupação da comunidade científica”, afirma o especialista.
De acordo com Leonardo, a preocupação como o aumento do desmatamento na floresta amazônica, justifica-se por ela se comportar como sumidouro de carbono. “Quando desmatamos e queimamos na Amazônia, por exemplo, o carbono estocado é lançado na atmosfera”, explica ele, indicando esse como um dos principais fatores do aquecimento, causando aumento da temperatura para todo o planeta e colocando a segurança dos seres em risco.
Para exemplificar, ele cita os prejuízos dessa elevação da temperatura e alteração no ciclo hidrológico para o agronegócio, que está diretamente relacionado ao Produto Interno Bruto (PIB). “Há estudos mostrando que o aumento de temperatura e redução das chuvas altera todo esse ciclo da produção agrícola, prejudicando também a economia, a geração de energia, saúde e as consequências que isso traz a população de modo geral”, diz o pesquisador.
Leonardo observa, no entanto, que embora muitos acreditem ser esse um problema governamental, é preciso entender que, de modo pessoal, pode-se ter ações como descartar o lixo de maneira correta, não poluir os igarapés, entre outras.
“A sociedade civil tem que se conscientizar de toda essa tarefa é coletiva”, assegura ele, recomendando que a educação ambiental seja incluída de forma expressiva nas escolas para que as crianças e os jovens possam entender a importância do papel deles e do governo nesse processo.

